Editorial: Muito mais cortes são necessários

Com um déficit de US$ 1,2 trilhão no próximo ano ¿ e um orçamento do Pentágono projetado em US$ 640 bilhões, sem contar o custo de duas guerras ¿ o presidente Barack Obama deveria ter cortado muito mais nos gastos com armas desnecessárias do que com a modesta economia de US$ 8,8 milhões que acaba de ser anunciada.

The New York Times |

Quase todos esses fatores já foram identificados no mês passado pelo secretário da Defesa Robert Gates. As principais novas contribuições foram o cancelamento do programa de equipamentos para a nova união de ataque, F-35, da Força Aérea ¿ uma economia adicional de US$ 1 bilhão.

Neste ano, o orçamento do Pentágono está mais sintonizado com a realidade militar e econômica do que com os gastos indisciplinados e mal direcionados da era Bush. Mas Obama se apropriou de uma chance de colher maiores economias de sistemas de armas custosos e desnecessários construídos para a Guerra Fria. Orçamentos futuros do Pentágono terão que fazer cortes muito mais ousados nesses sistemas.

Essa é a única forma de conseguir dinheiro para outras necessidades militares ¿ incluindo a expansão do Exército e a compra de tipos de veículos blindados necessários em lugares como o Iraque ¿ ao mesmo tempo em que auxilia a redução dos enormes déficits.

O orçamento deste ano não elimina a excedente reserva de combate da Força Aérea, F-22. Ele compra mais quatro. Ele também não acaba com o custoso destróier DDG-1000 da Marinha. Ele compra mais três. Não faz reduções significativas no submarino de ataque classe Virginia da Marinha. Esses três programas contam com quase US$ 7 bilhões por ano em um gasto desnecessário.

O orçamento também deixou intacto o plano de US$ 2,8 bilhões para o problemático V-22, aeronave de decolagem vertical, da subdivisão da Marinha, e recuperou apenas uma fração dos bilhões que poderiam ser economizados para o uso em defesa de mísseis e necessários no progresso de pesquisas e desenvolvimentos. Todos esses programas têm o poder do eleitorado do Congresso, o que é uma grande razão para as sucessivas administrações ter medo em eliminá-las.

Mas os tempos podem estar mudando. Neste mês, a administração resistiu com sucesso aos esforços dos membros da Câmara em enfeitar a última relação de gastos militares com compras irrelevantes de armas. E ¿ com o fortalecimento de Gates ¿ ambas as câmaras estão seguindo adiante com contas para reformar o sistema de aquisições. Dois terços do maior sistema de armas atropelaram seus orçamentos do ano passado, por um total em custo extra de US$ 296 bilhões. Esses programas estavam, na média, quase dois anos atrasados na programação.

A conta do Senado, aprovada na semana passada, cria uma estimativa de custo independente em cargos do Pentágono, reforça condições para o desligamento de sistemas gravemente acima do orçamento e aumenta a competição entre os contratantes. Se rigorosamente aplicado para todos os grandes contratos, ela poderia trazer grandes economias. Infelizmente, a versão da Câmara, que será votada no futuro, dedica-se apenas a 20% das aquisições. A conta final deve fornecer uma cobertura mais abrangente.

Com pesar, o produto militar sempre foi o artigo principal da política norte-americana. Mas em um tempo de crise de econômica e de guerra, o Pentágono e o Congresso não têm desculpa. Eles devem garantir que os dólares do contribuinte sejam usados em custos o mais produtivo possível na defesa da nação.


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