Editorial - Mudanças propostas para a imigração são essenciais

Ainda é muito cedo para saber se os Estados Unidos sob a presidência de Barack Obama irão restaurar o realismo, a sanidade e a legalidade de seu sistema imigratório. Mas nunca é cedo demais para termos esperança e a perspectiva parece boa, pelo menos entre os indicados ao novo gabinete.

The New York Times |

Se a equipe de Obama for confirmada,  o país terá uma secretária de segurança nacional, Janet Napolitano do Arizona, e um secretário do comércio, Bill Richardson do Novo México, que entendem a região da fronteira e compartilham um desdém bem informado pelas tolas e inadequadas medidas adotadas pela gestão Bush, como a colocação de uma cerca ao longo da divisa com o México. Além disso, terá a secretária do trabalho, Hilda Solis da Califórnia, que, como senadora estadual e congressista, construiu  a reputação de ser uma grande defensora dos imigrantes e trabalhadores.

A convergência de imigrantes e trabalhadores é exatamente o que este país (principalmente, e desastradamente, a gestão Bush) não conseguiu resolver.

Em termos mais simples, o que Solis e Obama parecem saber é isso: se mantiverem os direitos trabalhistas, mesmo para os  imigrantes ilegais, os manterão para todos os americanos. Se ignorarem e prejudicarem os direitos dos imigrantes ilegais, irão encorajar a exploração que prejudicaria as condições de trabalho em todo o país. Em um momento economicamente sombrio, a estabilidade e dignidade da força de trabalho são especialmente vitais.

É por isso que é tão importante reverter as táticas imigratórias da gestão Bush, que durante anos atacou o problema de cima para baixo e ao inverso. Para agradar os nativistas republicanos, desperdiçou recursos escassos simplesmente caçando e punindo imigrantes ilegais. Sua campanha de fiscalização, prisão e a cerca na fronteira não passou de uma perda moral. Entre outras coisas, essas medidas aterrorizaram e separaram famílias e levaram a mortes terríveis em prisões obscuras. Elas zombaram da tradição americana de receber e acomodar os trabalhadores imigrantes.

Essas medidas não impedem a onda de ilegais porque criaram as condições perfeitas para o trabalho não registrado. Imigrantes ilegais não podem criar sindicatos e sem um caminho para a legalização e sob a ameaça de um regime de fiscalização dura não podem exigir seus direitos.

Este é um sistema que os donos de negócios escusos (como o matadouro em Postville, Iowa, que usava trabalho imigrante infantil) não poderiam ter feito melhor. Além disso, a resposta da gestão Bush às críticas sempre foi endurecer ainda mais a fiscalização.

Solis, cujo pai imigrou do México e se tornou caminhoneiro e a mãe , da Nicarágua, trabalhou em uma linha de montagem industrial, promete um novo começo. Ela vive em El Monte, um subúrbio de Los Angeles no qual duas histórias de imigrantes e trabalho tocantes aconteceram nos últimos anos.

A primeira foi trágica: uma famosa fiscalização em uma fábrica clandestina de roupas em 1995 na qual trabalhadores tailandeses eram mantidos em condições escravocratas por trás de arame farpado. A segunda é menos conhecida e mais encorajadora: um ponto de contratação para trabalhadores temporários na esquina do estacionamento da loja Home Depot. Os homens latinos que se reúnem neste lugar seguro e bem coordenado mantém a exigência do salário mínimo e protegem a si mesmos de empregadores abusivos e ladrões de salários. Isso é bom para a loja, seus clientes e trabalhadores.

Solis é defensora de tais práticas e se opõe a medidas estabelecidas por outros municípios para dispersar os homens, fazendo com que eles vivam nas sombras. Ela entende que se os trabalhadores temporários acabarem nos nossos subúrbios, seria melhor lhes dar segurança do que piorar as condições de trabalho para todos.

Essa é uma sabedoria local que merece espaço no governo federal.

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