Editorial: membros da Otan se preparam para cúpula comemorativa

A Otan comemorará seu 60º aniversário com uma cúpula no início de abril, que será sediada por França e Alemanha. Grande parte da ostensiva preparação tem sido celebrativa, principalmente porque o afastamentos de oito anos nas relações transatlânticas parecem estar no fim. O presidente Barack Obama ainda cresce em popularidade na Europa e os atuais líderes europeus são pró-americanos. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também decidiu liderar seu país de volta a uma participação completa na Otan, abandonando a ideia à lá Gaulle de contrabalancear Washington.

The New York Times |

Tudo isso inspira a esperança da criação de uma missão significativa para a aliança depois de 20 anos de afastamento pós-guerra-fria. Para que isso aconteça, a Otan precisa ter sucesso no Afeganistão. Agora, o órgão está perto de um fracasso.

A disputa contra o Taleban e a Al-Qaeda é a maior operação do grupo fora da Europa. Esta é uma batalha contra os novos inimigos do novo século: terrorismo niilista, governo corrupto e instável. Ainda assim, dos 26 membros da Otan, o grosso dos combates reais ficaram a cargo de apenas cinco: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Holanda e Dinamarca.

Muitos países membros da Otan restringiram suas forças com "exceções nacionais" (restrições autoimpostas sobre como e onde elas podem ser utilizadas). Soldados alemães, por exemplo, podem ser usados apenas em papéis não combativos na região relativamente pacífica do norte. O efeito disso nas relações entre forças aliadas é corrosivo.

Obama e seus assistentes parecem reconhecer quão rápido as coisas estão se destruindo no Afeganistão e a necessidade de uma estratégia melhor. Ele enviou outros 17 mil soldados americanos ao país e solicitou uma revisão completa da operação no local. Obama chegou a abrir suas portas para negociações com membros moderados do Taleban.

Isso deveria ser mais do que suficiente para reassegurar os retardatários da Otan de que os Estados Unidos agora estão preparados para usar qualquer combinação de poder para conseguir resultados. Ainda assim o motivo real pelo qual os europeus precisam fazer mais no Afeganistão não é para "ajudar" os Estados Unidos, mas porque falhar seria um desastre para eles também.

Os santuários da Al-Qaeda em ambos os lados da fronteira do Afeganistão-Paquistão são onde os terroristas planejam as atrocidades vistas em Nova York, mas também em Londres, Madri e Mumbai.

Os debates na cúpula de abril devem se concentrar corretamente em novas estruturas para confrontar o número crescente de desafios, de "mísseis perdidos" a radicais fundamentalistas e à imprevisível vizinha Rússia. Mas, como o vice-presidente Joe Biden corretamente disse aos aliados durante sua recente visita ao quartel-general da Otan, o desafio maior e mais imediato é o Afeganistão.

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