Editorial: medo no ar

Se há alguma boa notícia nos milhares de passageiros que ficaram no chão quando as companhias aéreas decidiram que sua frota necessitava de inspeção urgente é que a Administração de Aviação Federal (FAA) é quem está fazendo o trabalho. Infelizmente, a agência está tentando recuperar anos de um trabalho não realizado e os passageiros é que sofrem com isso.

The New York Times |

  • American Airlines cancela mais 900 vôos nos EUA
  • I nspeções em aeronaves cancelam milhares de vôos


  • Se a FAA tivesse monitorado consistentemente a segurança dos vôos ao invés de ter sido convocada à tomar uma atitude no mês passado por um Congresso enfurecido por denúncias contra a agência, as inspeções teriam ocorrido de forma mais ordenada, ou talvez nem fossem necessárias. No entanto, a agência diz que dependendo dos resultados das audições realizadas até então, as interrupções nos vôos seguirão até meados de junho.

    Nós ficaríamos felizes em poder sugerir alternativas aos vôos, mas o mesmo governo que permitiu que as companhias aéreas não fizessem sua parte em relação à segurança, tem prejudicado o sistema ferroviário e o constante aumento nos combustíveis fazem com que dirigir longas distâncias não seja algo muito atrativo.

    A American Airlines cancelou grande parte dos vôos marcados desde terça-feira - mais de dois mil - por conta de manutenção de aeronaves posta em prática depois de problemas com as instalações elétricas de sua frota de MD - 80. Alaska Airlines, Delta Airlines e Southwest Airlines são empresas que também tiveram que passar por inspeções da FAA. Quatro companhias não identificadas podem ter que pagar multas por não seguir as regras de segurança da agência.

    A politica de não intervenção na imposição das regras de segurança da FAA é evidência dos danos gerados pela campanha ideológica de desregulamentação da administração Ronald Reagan. Isso só veio à tona quando a Southwest relatou que não teve que passar por inspeções de danos nos cascos. Como se isso não fosse o suficiente, a companhia manteve as aeronaves no ar por nove meses em 2006 e 2007. Por isso a empresa foi condenada a pagar uma multa de US$ 10.4 milhões.

    A FAA tem adiado de forma aterrorizadora as inspeções na segurança imposta pelas companhias aéreas. A indústria tem direito de inspecionar a si mesma e relata suas próprias falhas para a emissão das multas apropriadas. A agência audita os documentos, uma tarefa que se tornou mais complicada quando as companhias passaram a terceirizar o serviço de manutenção. Se as companhias aéreas discordam, elas podem pedir revisão federal das audições e, geralmente, são perdoadas. Dois corajosos funcionários deste escalão denunciaram a um comitê do Congresso ameaças por estarem fazendo seu trabalho de forma mais correta e não perdoando erros de segurança.

    Reformas são necessárias uma vez que as frotas estão envelhecidas e o controle de tráfego e sistemas de computação ultrapassados - elas devem começar na FAA, que precisa de uma liderança mais forte, que não existia sob o comando de Marion Blakey, que recentemente deixou o posto.

    O atual administrador da FAA, Robert Sturgell, é qualificado para liderar a agência. Ele é piloto e advogado. Mas sua indicação não deve passar pelo Senado. E isso se dá em parte por causa da raiva contra a baixa performance da FAA e porque ele receberia um mandato de cinco anos. Os líderes democratas no Congresso estão determinados a esperar até que haja um novo presidente.

    Sturgell merece o voto, mas ele pode conseguir realizar um ótimo trabalho mesmo sem ele, no tempo que lhe resta no comando ele continua a direcionar a agência a uma era de imposição de regras - não obstante o quanto a administração Bush não goste disso.

    Quando uma agência federal se refere à indústria que regulamente como seus 'clientes', como a FAA fez com as companhias aéreas, uma fronteira foi perigosamente ultrapassada. Como o representante James Oberstar, presidente do Comitê de Transporte de Infraestrutura da Casa, afirmou corretamente na semana passada "Os únicos clientes da FAA são os passageiros".

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