Editorial: McCain insiste em ignorar problemas na economia americana

John McCain passou a segunda-feira dizendo (como muitas vezes antes) que a economia americana está basicamente bem. Será que ele perdeu a falência do Lehman Brothers ou a venda do Merrill Lynch, que foram anunciadas no dia anterior? Será que não percebeu a agonia do Grupo Americano de Seguros (AIG)? Será que não sabe da demissão de milhares de funcionários de Wall Street, que se acumulam ao crescente batalhão de pessoas sem emprego nos Estados Unidos?

The New York Times |

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Na terça-feira, ele esclareceu sua declaração, mas isso foi ainda pior do que seu comentário inicial.

McCain disse que ao falar que a economia está basicamente bem quis dizer que os trabalhadores americanos são os melhores do mundo. No melhor estilo Karl Rove, ele deixou implícito que quem discordar da declaração que fez sobre a situação da economia irá, na verdade, insultar os trabalhadores americanos. "Eu acredito nos trabalhadores americanos e quem discordar disso (tudo bem)", declarou o candidato ao jornalista Matt Lauer da NBC.

Vamos esclarecer algumas coisas também. Primeiro, ninguém que almeje o cargo de presidente não "acredita nos trabalhadores americanos".

A economia está perto de ruir por conta de problemas básicos (moradia, financiamento, crédito, empregos, sistema de saúde e orçamento) que foram na melhor das opções negligenciados, e na pior exacerbados, durante a gestão Bush. Como resultado disso, os trabalhadores americanos foram atingidos.

Ao esclarecer seus comentários, McCain elogiou os trabalhadores, mas ignorou seus problemas. Este é o verdadeiro insulto.

Durante décadas, os americanos típicos não receberam recompensas como aumento de salário ou benefícios melhores por terem produzido mais. A distância entre trabalho e recompensa piorou muito durante a gestão Bush, quando a renda dos trabalhadores diminuiu e os lucros corporativos, que chegam aos bolsos dos executivos das companhias, aumentaram. Para os trabalhadores esta é uma falha básica da economia de hoje. Ela se baseia em políticas como um salário mínimo inadequado e um sistema fiscal cada vez mais não progressivo, para o qual McCain não oferece alternativas.

Quanto a Wall Street, McCain culpou a "corrupção e avareza". O candidato sugeriu que uma comissão descubra o que aconteceu e proponha soluções.

Seu diagnóstico e cura estão incorretos. A crise em Wall Street é uma falha sistemática em detectar e punir a corrupção e a avareza. Uma falha em acompanhar o mercado e garantir o cumprimento das regras, emitir alertas e expor produtos e práticas duvidosos.

A falha regulatória está enraizada na ideologia de que os mercados são bons e os governos ruins, em ascensão em Washington desde que McCain chegou à cidade e que já faz parte de seu partido. Caso McCain adote outro sistema de crença, por favor, nos informe.

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