Editorial - McCain erra ao adotar política de campanha de Bush

Definitivamente, não demorou muito. No dia 3 de julho, as notícias diziam que o senador John McCain, preocupado em perder as eleições antes mesmo que elas começassem, abriu suas portas aos discípulos de Karl Rove, que coordenaram a campanha de 2004 e a Casa Branca de Bush. Menos de um mês depois, os resultados são perceptíveis. O candidato que começou falando num debate de alto nível adotou completamente as regras baixas e nada civilizadas de Rove.

The New York Times |

Na últimas semanas, McCain tem ostentado a bandeira do medo (como quando diz que o senador Barack Obama quer "perder" no Iraque) e realizado ataques que são imaturos (sugerindo que Obama é socialista) e falsos (que o candidato democrata deu as costas a soldados feridos).

McCain costumava se orgulhar de estar acima desse tipo de política suja, que matou sua própria candidatura presidencial em 2000, mas ele claramente deixou as inibições de lado no começo desse mês quando colocou o gerenciamento do dia-a-dia de sua campanha nas mãos de um dos colegas de Rove e pôs outros dois em posições de destaque. Os currículos do novo time incluem tempo na Casa Branca de Bush e em sua campanha de reeleição em 2004, uma das mais negativas e divisórias de que se tem registros.

Quase imediatamente, a campanha de McCain passou a usar as táticas gastas de Rove, começando com uma tentativa de ampliar a prejudicial divisão ideológica dos EUA ao mostrar Obama como um excêntrico extremista de esquerda. No dia 18 de julho, McCain chegou a sugerir que Obama é um socialista ao associar o candidato ao único socialista declarado da esquerda do Senado, Bernie Sanders, de Vermont.

A política de Obama é dificilmente de extrema esquerda e qualquer um que tenha passado algum tempo em um país socialista sabe o quão ridículo é esse rótulo para qualquer membro do Congresso. Seria ruim o suficiente se McCain honestamente acreditasse no que diz, mas achamos difícil que esse seja o caso.

Obama distorceu a história de McCain algumas vezes, mas as falsas acusações do republicano são muito mais freqüentes: que Obama se opõe à "inovação" em relação a energia, que ele votou 94 vezes a favor de "impostos mais altos" e que é pessoalmente responsável pelo aumento nos preços dos combustíveis.

McCain não parou por aí. Adotando táticas de Bush e Rove, ele tenta distrair a atenção dos eleitores de seu apoio a uma infindável guerra no Iraque ao acusar Obama de ser fraco e impatriota. Esse tipo de ataque aumentou na semana passada quando McCain acusou e reclamou e foi a lugares com nomes europeus enquanto Obama viajava pelo exterior.

McCain repetidamente disse que Obama "preferiria perder uma guerra para ganhar uma campanha política" e que ele "não entende" o que está em jogo no Iraque. Ele também acusou Obama de cancelar sua visita aos soldados feridos no hospital militar americano na Alemanha porque não se podia entrar com câmeras. Isso é uma versão mentirosa dos fatos (e McCain ignorou a visita sem alarde de Obama a um hospital de combate em Bagdá).

Como Bush, McCain confunde a oposição a uma guerra desnecessária com falta de coragem e disposição para usar a força quando a nação está realmente em perigo. Obviamente, Obama não tem experiência como comandante e sua viagem foi feita para assegurar os eleitores. Mas McCain é tão inexperiente quanto Obama nessa área e é difícil imaginar um pior modelo do que o que McCain parece estar adotando: o presidente Bush.

Muitos eleitores questionam se uma presidência de McCain seria apenas uma extensão dos dois mandatos desastrosos de Bush. Se a forma como McCain direcionou sua campanha for uma indicação, os americanos não terão que esperar até janeiro para ter a resposta.

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