Editorial: McCain e Obama travam guerra fraudulenta sobre a imigração na TV

Sim, a imigração é uma questão complicada e explosiva para candidatos políticos (e a situação da economia é a prioridade de todos). Não, isso não é desculpa para ignorar a imigração ou mentir para os eleitores sobre a questão como John McCain e Barack Obama têm feito.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

McCain mentiu primeiro, num comercial em espanhol que acusou Obama de ajudar a impedir a reforma imigratória do ano passado ao votar a favor de emendas que supostamente afundaram o projeto de lei bipartidário. O comercial lamentava o resultado: "'não' ao programa de trabalhadores convidados; 'não' para uma lista para a concessão de cidadania; 'não' para a segurança nas fronteiras. A reforma não passou. Isso é estar do nosso lado?"

Isso representa uma distorção assustadora da verdade. O projeto de lei não foi afundado por nenhuma emenda. Ele morreu em meio a uma tempestade de discussões enraivecidas em programas de rádio e por causa da obstrução republicana. McCain agora lamenta essa lei, mas ele ficou de lado quando seu próprio partido a enfraqueceu e afundou. Essa é a mesma lei que ele diz agora que votaria contra.

Para McCain, sugerir que Obama se opõe a um "a lista de concessão de cidadania" e "programas de trabalhores convidados"  revela sua desonestidade.

Obama apoia três pilares de uma compreensiva reforma: maior reforço na fiscalização do cumprimento da lei, ampliação da imigração legal e um caminho para a cidadania de imigrantes ilegais que se encontrem no país.

McCain foi um arquiteto desse mesmo projeto, mas ele também lidera um partido cujos membros se opõem avidamente a qualquer caminho para a cidadania. Então, em deferência a eles, McCain agora enfatiza a segurança nas fronteiras como a prioridade número um. A não ser quando ele tenta convencer eleitores em espanhol.

O comercial resposta de Obama , também em espanhol, não foi menos fraudulento. A propaganda retratou McCain como um amigo e representante de políticos a favor de restrições à questão, como Rush Limbaugh, mesmo que Limbaugh há muito ataque a moderação de McCain em relação à imigração. Ele cita Limbaugh como tendo chamado todos os mexicanos de burros e dizendo que eles devem "calar a boca ou deixar o país", algo que nunca fez.

A imigração estava ruim antes dos candidatos começarem essa repugnante guerra de propagandas e parece que ficará assim pelo menos durante essa campanha.

Enquanto isso, a gestão Bush mantém investidas contra fábricas e fazendas, aterrorizando os imigrantes e suas famílias e revelando abusos no local de trabalho.

Crianças trabalham continuamente em matadouros e imigrantes presos são mantidos indefinidamente em cadeias federais, morrendo sem atendimento médico. Trabalhadores diaristas são atacados e seus salários são roubados. Uma cerca ineficaz na fronteira está atrasada e milhões acima do orçamento inicial. Policiais locais arrastam cidadãos e residentes legais em suas redes, sob aplausos dos conservadores.

Ambos os candidatos já tiveram uma posição inteligente e razoável sobre o problema. Mas McCain está adotando a posição de seu partido e Obama fez apenas uma pequena menção à imigração durante a Convenção Democrata, em meio a uma lista de grandes problemas enfrentados pelo país, como aborto, armas e casamento homossexual, na qual pareceu dizer que o melhor que os americanos podem esperar são pequenos comprometimentos e concordar em discordar.

Ambos estão errados. Este país precisa de respostas melhores, ditas claramente e acima de qualquer ruído. A resposta para a questão da imigração é a mesma do ano passado: uma reforma completa que leve ordem e a decisão da lei a um sistema que já não funciona em milhões de maneiras. McCain e Obama sabem disso. Eles deveriam voltar a dizer a verdade a esse respeito, em inglês e espanhol.

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