Editorial: líderes mundiais devem mostrar compromisso coletivo contra a crise

Você acha que a situação econômica mundial parece sombria? Considere esta possibilidade: a Europa rejeitar o pedido dos Estados Unidos para mais estímulos fiscais e resistir ainda mais ao auxílio monetário, além de o Congresso restringir ainda mais as importações para garantir que o pacote de resgate crie empregos apenas em casa e não vaze para outros países.

The New York Times |

Nações ricas que gastaram bilhões de dólares resgatando seus bancos os instruam a se concentrar nos empréstimos domésticos. Países em desenvolvimento sejam então abandonados pelas finanças internacionais. Mais desvalorização, mais inadimplência. Tentando usar a exportação como uma saída, eles passam a adotar preços mais baixos e competitivos mas encontram novas barreiras comerciais no ocidente.

Seria errado dar de ombros a este cenário. Claro, todo líder mundial sabe que estratégias que incluem implorar a seus vizinhos podem piorar a atual emergência global. Ainda assim, o protecionismo floresce em crises econômicas conforme as pessoas buscam bodes expiatórios para seus problemas e exigem proteção para os empregos domésticos.

Em sua cúpula em Washington em novembro passado, os líderes do Grupo das 20 maiores economias ressaltaram "a crítica importância de rejeitar o protecionismo". Uma análise do Banco Mundial descobriu que 17 destes países impuseram alguma espécie de política de protecionismo (de tarifas a abatimentos fiscais) desde então.

Os líderes se reunirão para outra cúpula do G20 na próxima semana em Londres e precisam não apenas se comprometer a evitar este caminho, mas mostrar seu compromisso com propostas concretas. O mundo precisa de um acordo que se relacione com todos que buscam soluções coletivas.

O encontro pode facilmente ser impedido por diferenças irreconciliáveis. O Fundo Monetário Internacional prevê que países na zona do euro irão sofrer uma recessão pior que a dos Estados Unidos. Ainda assim, isso parece menos uma preocupação e mais um possível enfraquecimento da moeda e aumento do déficit orçamentário a longo prazo. Os países não apenas recusaram o pedido americano de gastar mais para sair desta situação, mas o primeiro-ministro tcheco, representando a União Europeia, rotulou o plano dos Estados Unidos de um "caminho para o inferno".

No entanto, em algumas áreas acordos podem ser estabelecidas (como o apoio do Japão, União Europeia e Estados Unidos ao aumento dos recursos disponíveis ao FMI em pelo menos US$ 500 bilhões). O FMI também renovou seus programas de auxílio para aliviar algumas condições e acelerar o pagamento da ajuda em dinheiro aos países necessitados.

Mais precisa ser feito para ajudar as nações pobres. O Banco Mundial pediu que os países industriais comprometam 0.7% de seu estímulo financeiro com esta ajuda. Eles também podem apoiar a nova questão de direitos especiais (a moeda do FMI que pode ser usada para se ajudar países em necessidade) e acolher um novo papel maior no fundo para a China, que poderia usar seus amplos recursos para ajudar. É importante que se apoiem em seus bancos (talvez oferecendo garantias) para encorajá-los a não abandonarem o mundo em desenvolvimento.

Estes esforços ajudariam a evitar uma catástrofe no mundo pobre (que inevitavelmente atingiria as nações ricas) e estabeleceria um senso de responsabilidade coletiva. Isso é vital. Mas mesmo se os países concordarem ou não com ideias específicas para o estímulo econômico e o resgate financeiro, esta crise não acabou. Parte da tarefa adiante será monitorar a evolução da emergência econômica e a eficácia do plano de resgate.

Este mês, o FMI previu que a economia mundial irá contrair entre 0.5% e 1% este ano, o que seria sua pior performance desde a Segunda Guerra Mundial. Mas cada nova previsão traz notícias ainda piores. Os planos de resgate podem ter que se intensificar. Se a realidade for pior do que o esperado, será melhor que os países líderes mundiais ainda estejam negociando e que possam concordar em fazer algo a respeito.


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