Editorial: Irã julga opositores do governo em massa

O Irã armou um grande espetáculo esta semana para a posse do presidente Mahmoud Ahmadinejad de um segundo mandato roubado. Se os rígidos mulás, o mais importante eleitorado de Ahmadinejad, esperavam que isso demonstraria autoconfiança e controle, eles estavam errados. Há muitos outros lembretes da ilegitimidade deste regime.

The New York Times |

A começar pelo julgamento em massa de 100 opositores do governo, presos depois que a eleição do dia 12 de junho gerou inúmeras manifestações. O grupo inclui políticos pró-reforma, advogados e jornalistas. Entre eles está o repórter da revista Newsweek, Maziar Bahari.

O procedimento obviamente busca intimidar qualquer movimento de uma oposição que mostrou resiliência surpreendente em face a ataques do governo. Bahari e outros acusados não puderam falar com seus advogados e suas famílias não foram notificadas sobre o início do julgamento.

As autoridades não se preocuparam nem mesmo em acusá-los de crimes legítimos. A acusação completa ainda não foi divulgada. Mas de acordo com o grupo Human Rights Watch, determina que os opositores tentaram realizar um "golpe" sem determinar quais leis iranianas foram especificamente violadas.

Quem estava por trás deste falso "golpe"? A acusação lista grupos de direitos das mulheres, grupos étnicos, grupos de direitos humanos, o movimento trabalhista, organizações não governamentais e estudantes (em outras palavras, uma ampla camada da sociedade civil).

Ficamos especialmente alarmados com o fato de alguns destes acusados (incluindo Muhammad Ali Abtahi, ex-vice-presidente do país, Muhammad Atrianfar, jornalista e ex-ministro do  Interior e Bahari) terem sido mostrados na televisão recitando humilhantes, e certamente coagidas, "confissões" nas quais eles denunciaram antigos colegas e declararam não ter havido nenhum fraude na eleição.

Apesar de uma repressão violenta, os críticos do governo se recusam a perder em silêncio. Alguns dos oponentes de Ahmadinejad mais proeminentes, inclusive os ex-presidentes Mohammad Khatami e Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, não participaram da posse. E ainda houve pequenos protestos espalhados pelas ruas, apesar de uma incomum forte presença policial.

Com os espetáculos públicos desta semana, o Irã está determinado a esconder a verdade do que está acontecendo no país. Grupos de direitos dizem que 40 jornalistas foram presos desde a eleição. Mas o povo iraniano não foi enganado. Mais abusos, mentiras e intimidação provavelmente irão apenas alimentar sua raiva e a revolta do mundo.

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