Editorial: Intelectuais estrangeiros ainda têm dificuldade em conseguir visto americano

Já faz mais de 20 anos que Congresso revogou as provisões usadas durante a Guerra Fria para negar vistos a proeminentes intelectuais, artistas e ativistas estrangeiros por causa de sua inclinação política esquerdista, incluindo o novelista colombiano Gabriel Garcia Marquez, o poeta chileno Pablo Neruda e a novelista britânica Doris Lessing.

The New York Times |

A gestão Bush reavivou a prática avidamente, proibindo que muitas pessoas entrassem no país para debates ou conferências ou para ensinar nas principais universidades - tudo isso sob o inconsistente disfarce da luta contra o terrorismo.

Adam Habib, um conhecido intelectual, professor e ativista de direitos humanos da África do Sul, foi interrogado durante sete horas e teve seu visto foi revogado quando tentou entrar nos Estados Unidos em 2006 para reuniões profissionais.

Mais tarde lhe disseram que sua exclusão havia sido baseado no combate ao terrorismo. Ele está desafiando a decisão no tribunal, mas o governo ainda tem que explicar seu raciocínio legal ou efetivo preciso.

Em 2004, a gestão Bush revogou o visto de Tariq Ramadan, um pesquisador suíço e muçulmano, que se tornaria professor titular da Universidade de Notre Dame.

Seu visto foi novamente negado em 2006. Dois meses atrás, um painel de três juízes da Segunda Corte de Apelação de Manhattan inverteu unanimamente uma decisão de um tribunal inferior que permitiu a medida governamental.

O governo citou evidências de que entre 1998 e 2002, Ramadan contribuiu com aproximadamente US$ 1.300 a uma instituição de caridade baseada na Suíça que mais tarde o Tesouro categorizou como organização terrorista.

Ramadan disse que acreditava que o grupo estava envolvido em projetos humanitários, e que não estava ciente de qualquer ligação entre a instituição, a Association Secours Palestinien (Associação de Socorro Palestino, em tradução literal), e o Hamas ou qualquer prática de terrorismo, que ele diz condenar.

As evidências sugerem que as fortes críticas de Habib à política externa americana é que realmente motivaram sua exclusão.

Meses atrás, um grupo de defensores da liberdade de expressão, incluindo a Associação de Editoras Americanas, a Associação Americana de Bibliotecas e o Sindicato Americano das Liberdades Civis pediu que a gestão Obama acabe com as exclusões ideológicas e reveja negações de visto duvidosas.

Esperamos que a Secretária de Estado Hillary Rodham Clinton faça isso.

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