Editorial: Insurgência ainda representa maior desafio de governo afegão

Matar combatentes do Taleban não será suficiente. Se há qualquer esperança de se derrotar a insurgência, o governo do Afeganistão terá que persuadir um número maior de militantes a abandonar as armas.

The New York Times |

Em uma conferência internacional em Londres a respeito do Afeganistão, nessa semana, o presidente Hamid Karzai deve anunciar um plano para tentar diminuir o número de combatentes Taleban de médio e baixo escalão.

Qualquer plano precisará de apoio financeiro. O custo deve girar em torno de US$1 bilhão para oferecer empregos, segurança e outros benefícios aos desertores Talebans. Os aliados que se recusam a enviar mais tropas ao Afeganistão devem comprometer mais dinheiro.

Mas dinheiro apenas não irá resolver o problema. O governo precisa convencer os desertores de que eles serão protegidos e receberão espaço político. A iniciativa certamente irá fracassar se o primeiro Taleban que abandonar as armas for assassinado por antigos camaradas ou atuais vizinhos.

O plano também precisará determinar claramente alguns princípios. A reabilitação deve ser oferecida aos membros do Taleban - geralmente soldados rasos - que entraram para a insurgência porque precisavam de emprego ou foram pressionados.

Os fieis terão que provar que renunciaram não apenas à violência, mas também à brutalidade do Taleban e a seus valores medievais. O governo precisa deixar claro que não irá ceder nenhum centímetro, especialmente quando se trata da educação para meninas e mulheres.

Achamos preocupante que Karzai e seus assistentes tenham falado em reconciliação com o líder do Taleban, o mulá Omar, e da remoção de seu nome da lista negra de terroristas das Nações Unidas. (Ele não mostrou interesse em uma reconciliação.)


Líderes brutos como o mulá Omar, que deu proteção à Al Qaeda antes do 11/9, devem ser levados à justiça, e não receber um passe livre ou uma cadeira à mesa.

Karzai facilitou demais a vida do Taleban. A corrupção e a incompetência de seu governo levaram milhares de afegãos aos braços da insurgência. Para impedir que outros milhares façam o mesmo, o governo de Karzai terá que agir rapidamente para melhorar sua performance.

Muitos combatentes não irão mudar de lado até que vejam uma transformação no equilíbrio militar. Isso deve acontecer na primavera ou verão, quando a maioria das 30,000 tropas americanas adicionais chega ao país.

O presidente Karzai, os Estados Unidos e outros parceiros precisam de um amplo plano de reconciliação antes disso. Eles também precisam ser mais claros a respeito do que está em oferta - e do que não está.

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