Editorial: Influência americana pode diminuir, mas ainda não chegou ao fim

Houve uma grande quantidade de apertos de mão desde que a inteligência dos Estados Unidos pesquisou como o mundo será em 2025: o país perderá seu domínio; a China e a Índia crescerão; haverá grande competição por água, comida e energia; o perigo dos terroristas conseguirem armas nucleares será maior.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Isso é conciliador, mas manchetes como "Tendências Globais 2025: Um Mundo Transformado", publicada pelo Conselho Nacional de Inteligência, não contam toda a história.

O presidente eleito Barack Obama herdará um mundo que é muito mais complicado e mais assustador do que o que George W. Bush encontrou em 2001. Mas ainda que as tendências sejam aparentes, os resultados finais não são inevitáveis. As decisões que Obama e outros líderes tomarem nos próximos anos significarão muito.

Podemos até assumir que o mundo está a caminho de um sistema multipolar com a China, Índia e Rússia, além de várias companhias, tribos, grupos religioso e até mesmo redes criminosas atrás de influência.

Os especialistas têm previsto esta multipolaridade desde o final da guerra fria. O vice-presidente Dick Cheney e o ex-vice-secretário da Defesa Paul Wolfowitz chegaram a prometer que fariam tudo o que pudessem para liderá-la (inclusive garantindo que nossos aliados europeus não aspirem ao poder e influência rivalizando os Estados Unidos).

Tamanha arrogância e teimosia, pelo contrário, enfraqueceu o país (criando novos inimigos e dificultando a conquista de cooperação em desafios importantes, como o combate contra Taleban e Al-Qaeda no Afeganistão). Se há uma lição clara nos últimos oito anos de governo, é que ameaçar outros países (ou manipulá-los em troca de nada) não funciona.

Também faz parte da nova sabedoria convencional que este século será da China ou da Índia. Mas ambos enfrentam sérios desafios econômicos e demográficos, entre outros (inclusive a ameaça terrorista, como os ataques em Mumbai demonstraram).

Um relativo declínio no poder também não significa que os Estados Unidos irão deixar de ser uma potência. Este país pode e deve continuar a liderar. A cooperação e a tomada de decisão rápida, ágil e rigorosa serão valorizadas.

Dar um papel maior às potências emergentes (no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por exemplo) pode ajudar a persuadi-las a assumir maior responsabilidade por problemas como terrorismo, mudança climática, não proliferação de armas e segurança energética.

O relatório sugere que o uso indiscriminado da violência pela Al-Qaeda e sua dificuldade em solucionar problemas como a pobreza e o desemprego podem diminuir seu apelo. Mas outros grupos extremistas que favorecem programas sociais provavelmente terão mais espaço no poder. A próxima gestão precisa combater sua influência promovendo o desenvolvimento econômico do Oriente Médio bem como um acordo de paz duradouro entre israelenses e palestinos.

Alertas de que os terroristas conseguirão comprar armas nucleares, biológicas e até mesmo convencionais mais modernas com maior facilidade, pede uma série de novas iniciativas para controlar a disseminação destes artefatos assustadores.

Obama parece entender estes desafios. Bem como alguns dos especialistas que farão parte de sua gestão, inclusive Susan Rice, sua embaixadora para as Nações Unidas, e James Steinberg, possível vice-secretário de Estado. Como membro de um grupo conhecido como Phoenix Initiative, eles passaram muitos anos formulando um conceito de estratégia de liderança americana para o século 21.

Seu relatório sobre o conceito declara que "a liderança não é um direito, ela tem que ser conquistada e mantida. A liderança que serve como objetivo comum é a melhor forma de inspirar as muitas pessoas diferentes deste mundo a fazer compromissos compartilhados".  Este é um bom começo.

Leia mais sobre EUA

    Leia tudo sobre: eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG