Editorial: Incursão a Gaza revela sutilezas do conflito entre israelenses e palestinos

Com sua incursão terrestre a Gaza, Israel aposta que pode finalmente silenciar os mísseis do Hamas que aterrorizam seu povo há anos. Nós simpatizamos com este objetivo, mas tememos que um sucesso a curto prazo no campo de batalha possa encorajar os israelenses a manter a pressão por mais tempo em uma tentativa de dizimar o Hamas e tirar Gaza de suas mãos.

The New York Times |

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Este também é um objetivo com o qual simpatizamos - não há justificativa para os ataques do Hamas ou sua rejeição violenta a Israel. Mas é pouco provável que aconteça e há  chance de retornos ainda menores que podem ser facilmente mal calculados.

Quanto mais tempo durar a incursão israelense, mais casualidades irá gerar (550 palestinos e cinco israelenses morreram até agora). Quanto maior a popularidade do Hamas entre seus defensores, mais Estados árabes, que corretamente culparam o grupo por acabar com um cessar-fogo de seis meses, serão alienados e a instabilidade da região alimentada.

A situação também dificulta que o presidente eleito Barack Obama restabeleça uma estratégia de paz para a região quando assumir o cargo no dia 20 de janeiro.

Israel, com a ajuda dos Estados Unidos, a Europa e os Estados árabes moderados precisam tentar acabar com este conflito o mais rápido possível e de forma a aumentar as chances de uma ampla negociação de paz para a região.

Isso significa garantir no mínimo que o Hamas (aliado do Irã) não lucre com a guerra, que o disparo de mísseis seja interrompido permanentemente e que o grupo terrorista não possa restaurar seu arsenal com mais armas enviadas pelas centenas de túneis cavados sob a fronteira com o Egito.

Israel deixou claro que não tem pressa por uma solução diplomática, mas terá que haver uma. Isso exige compromissos do país, inclusive a aceitação de uma monitoração internacional do cessar-fogo e um fluxo maior de bens e pessoas entre Israel e Gaza. Aceitar essas condições ajudaria a persuadir os céticos de que o objetivo de Israel é tão bem definido como o país diz ser.

Israel precisa permitir o acesso de jornalistas internacionais a Gaza imediatamente, como a Suprema Corte do país decidiu no dia 31 de janeiro. Como em toda zona de guerra, os relatos de jornalistas (e de monitores de direitos humanos) podem desencorajar os abusos e são essenciais para o total compreendimento público do conflito.

Saudamos os oficiais europeus e árabes que intensificaram seus esforços para conseguir um cessar-fogo mais significativo. Enquanto a secretária de Estado Condoleezza Rice se encontra em Washington telefonando para líderes estrangeiros (a paz no Oriente Médio não seria o seu legado?), são europeus como o presidente Nicolas Sarkozy da França que viajam a região para negociações diretas.

Entendemos a decisão de Obama de deixar a crise para o presidente Bush. Mas esperamos que ele e sua equipe estejam preparados para o que podem ter que enfrentar nessa crise imediata e que trabalhem em uma estratégia para a região.

Há pouca chance de deter o Hamas sem lidar com seus patrocinadores na Síria e Irã. Obama também terá que se mover rapidamente para reviver as negociações de paz entre israelenses e palestinos. Os palestinos na Cisjordânia e em Gaza precisam ver que há outras formas de saírem de sua miséria e que o Hamas e seus mísseis não é a resposta.

Nahum Sirotsky, colunista do iG, comenta a situação em Gaza; veja o vídeo:


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