Editorial: Incentivo de US$ 75 bilhões não evita desapropriações nos EUA

Em março, a gestão Obama deu início a um esforço anti-desapropriação que ofereceu às financiadoras até US$ 75 bilhões em incentivos para que modifiquem hipotecas em dificuldades. Se isto soa como muito dinheiro, é porque realmente é. Mas até agora não foi o suficiente para persuadir a indústria das hipotecas a fazer o que é preciso para ajudar os americanos a permanecerem em suas casas e impedir que a economia entre em dificuldades ainda maiores.

The New York Times |

O primeiro relatório sobre o programa, divulgado na semana passada pelo Departamento do Tesouro, mostra que no final de julho 235.247 hipotecas haviam sido modificadas a título de teste. O número não representa nem 9% dos 2,7 milhões de empréstimos atualmente considerados elegíveis ao programa. (Durante os testes os financiados recebem ofertas de pagamentos mensais menores. Depois que pagam em dia pelo terceiro mês consecutivo, o valor inferior é fixado por pelo menos cinco anos.)


Casa financiada é tomada pelo banco após falta de pagamento / Getty Images

O relatório também mostra que 117.295 parcelas dentro do plano estavam pendentes ao término de julho, mas não se sabe quantas destas realmente representam hipotecas renegociadas.

Por que os bancos não estão usando os incentivos?

Alguns podem preferir as desapropriações porque elas permitem que as instituições atrasem a declaração de perda. Um atraso é especialmente valioso para bancos com outros empréstimos, em imóveis comerciais por exemplo, que estão ruins.

Modificações também requerem muito mais tempo e esforço para seu processamento do que as desapropriações. Para algumas financiadoras de hipotecas que recebem pagamentos e lidam com a inadimplência, os incentivos podem ser menores do que os valores que eles recebem em multas e da venda de imóveis desapropriados.

Mesmo diante de tudo isso, esta gestão ainda mantém que os incentivos irão superar a relutância da indústria. Também parece acreditar que expor o lento progresso das financiadoras irá fazer com que tentem melhorar por pura vergonha. Até onde podemos nos lembrar, esta indústria não sabe o que é vergonha.

Funcionários desta gestão dizem esperar 500 mil modificações até novembro. Isto seria um aumento, mas provavelmente muito pequeno dado o tamanho do problema e a vulnerabilidade da economia.

De acordo com o Economy.com da Moody's, seria preciso pelo menos um milhão de modificações bem sucedidas nos próximos seis a 12 meses para evitar os piores efeitos da desapropriação em massa, incluindo danos graves às famílias e comunidades (e conforme as desapropriações levem à queda nos preços, uma perda contínua de capital social em todo o país).

Infelizmente, a esta altura também não se sabe quantos dos empréstimos modificados sob o plano de Obama permanecerão válidos e quantos se tornarão inadimplentes. O que se sabe é que com o aumento no desemprego, mesmo parcelas menores podem ser caras demais.

Com a queda nos preços dos imóveis, a melhor forma de evitar a inadimplência seria perdoar os valores principais. Em deferência aparente aos bancos que não querem as perdas associada com reduções principais, oficiais da gestão Obama não pressionaram as financiadoras para que adotem esta postura.

Agora há um real perigo de que as financiadoras, pressionadas pela gestão, possam aumentar o número de empréstimos modificados, mas estes serão especialmente propensos à inadimplência.

E há ainda o perigo de que a gestão desperdiçará tempo valioso tentando fazer valer uma solução que se mostra inadequada, permitindo que a crise das desapropriações persista. Para evitar estes perigos, a gestão Obama deve oferecer diversos dados sobre a performance das hipotecas modificadas ao longo do tempo. Além disso, deveria também revelar as suposições que têm adotado para projetar os objetivos deste programa.

Se o plano de Obama não gerar modificações bem sucedidas o suficiente, o Congresso deve dar aos proprietários de imóveis uma alternativa para ajuda. A melhor maneira de fazer isso será modificando a lei para permitir que juízes de falência alterem hipotecas ruins. A perspectiva de ter que aceitar a decisão de um juiz seria o maior incentivo para que as financiadoras modifiquem empréstimos ruins, e não custaria nada aos contribuintes.

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