Editorial: Imigrantes, saúde pública e mentiras

Imigração ilegal é um assunto político totalmente explosivo. Incluir o assunto em qualquer debate significa parar os trabalhos, porque as pessoas têm medo que serviços ou benefícios governamentais acabem nas mãos daqueles que não merecem.

The New York Times |

O tema voltou ao palco nacional na noite de quarta-feira quando o presidente Barack Obama disse ao Congresso que sua reforma não se aplicaria a imigrantes ilegais. O representante republicano Joe Wilson, da Carolina do Sul, entrou para a história dos programas de notícias com duas palavras: " Você mente !"

Obama não mentiu. Os projetos de lei que estão sob análise para aprovação do Congresso declaram que imigrantes ilegais são inelegíveis para benefícios subsidiados. É impossível imaginar qualquer projeto que faça o contrário. Wilson não passa de uma pessoa rude, mas alguns republicanos ainda insistem que ele tinha razão porque o projeto não assegura que pessoas sem documentos legais tenham acesso a tratamento.

Chegou o momento de analisarmos a realidade. Há imigrantes ilegais aqui. Eles não são elegíveis ao Medicaid, mas muitos ficam doentes e muitos conseguem receber cuidados, geralmente em pronto-socorros. A proposta atual não os impediria de usar seu dinheiro para comprar uma assistência médica, sem subsídios. Da mesma maneira como já fazem.

Deveríamos colocar em prática uma linha mais dura? Forçar as pessoas a comprovar a cidadania nos pronto-socorros? Isso é ilegal e por um bom motivo. Fazer das verificações da cidadania tão rígidas que nenhum imigrante ilegal passe pelo pente fino? Muito caro e pouco inteligente...

Além disso, muito provavelmente impediria o acesso de cidadãos merecedores - como idosos que não têm suas certidões de nascimento originais. E isso já foi testado: um comitê da Câmara acompanhou seis programas de Medicaid estatais em 2007 e descobriu que as regras de verificação de identidade acrescentavam US$ 8,3 milhões ao custo do programa. Elas pegaram apenas oito imigrantes ilegais no período.

No caso de uma epidemia, como a da gripe suína, imigrantes ilegais deveriam ficar sem tratamento para que possam contagiar residentes legais e cidadãos americanos?

Republicanos linha dura insistem que vão lutar pela inclusão da verificação de cidadania nos projetos. Eles poderiam, teoricamente, fazer com que o país gaste qualquer quantia necessária para orgulhosamente informar isso a seus eleitores. Mas há uma linha além da qual a antipatia pelos imigrantes sem documentos pode estar prejudicando a saúde destes próprios eleitores, sem falar no orçamento federal. Wilson e seus admiradores parecem ter cruzado esta linha.

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