Editorial: Haiti

Mais uma vez o mundo chora com o Haiti. O terremoto que atingiu o país na terça-feira fez estragos em uma escala que raramente poderia ser imaginada caso não pudéssemos ver as fotos, vídeos e relatos dos sobreviventes - da destruição das favelas localizadas nos morros, de escolas, hospitais e até mesmo do prédio do Parlamento e do palácio presidencial.

The New York Times |

Sempre que desastres acontecem, somos lembrados de como o Haiti é o país mais pobre do nosso hemisfério. E a cada vez que acontece um desastre, os Estados Unidos e outros países ajudam - por um tempo. Isso precisa mudar.

O Haiti precisa urgentemente de ajuda para resgatar e abrigar os sobreviventes e cuidar, alimentar e vestir pessoas que já tinham pouco e agora não têm nada. Mas o Haiti precisa de ainda mais. O país precisa de um compromisso para finalmente deixar a pobreza, o desespero e a disfunção que seriam um desastre em qualquer lugar, mas são a norma no Haiti.

O presidente Barack Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton prometeram que a assistência dos Estados Unidos será rápida através da coordenação de esforços militares, de agências civis de ajuda e organizações não-governamentais. A gestão precisa garantir que o aumento na generosidade se transforme em ação mantida, substituindo a confusão e o caos no local com uma campanha racional e eficiente - primeiro para resgatar, depois para reconstruir.

Cidadãos americanos podem ajudar a acelerar o processo ao doar generosamente à organizações de caridade que atuam no Haiti. Esses grupos sabem para onde direcionar a ajuda humanitária e como gastar com prudência.

A missão da ONU no Haiti sofreu um golpe trágico na terça-feira quando seu quartel-general em Porto-Príncipe foi destruído. Seu chefe e dezenas de funcionários permanecem desaparecidos e possivelmente mortos. A organização precisa encontrar uma forma de se recuperar rapidamente para retomar sua vital missão. O ex-presidente Bill Clinton, enviado especial das Nações Unidas ao Haiti, tem a oportunidade de usar todas as suas habilidades de liderança e persuasão nessa situação. Essa é a melhor oportunidade para um ex-presidente talentoso e problemático mostrar seu valor.

Os Estados Unidos têm uma responsabilidade especial em ajudar seu vizinho. Essa é a oportunidade para Obama demonstrar como os Estados Unidos lidam com suas responsabilidades e mobilizam outros países a também fazer sua parte. Mesmo ao pedir que sua gestão e outras ajam, ele deve lembrá-las - e a si mesmo - de que esse não é um trabalho para alguns meses. É um compromisso para muitos anos.

Na quarta-feira, a gestão Obama afirmou que irá suspender a deportação de até 30.000 haitianos que estão nas mãos da agência de imigração. O governo agora deve dar o próximo passo ao conceder a esses imigrantes um status de proteção temporário, como fez aos sobreviventes de terremotos na América Latina e outros desastres, para que a diáspora haitiana nos Estados Unidos possa trabalhar e enviar dinheiro vitalmente necessário para casa.

Um terremoto dessa dimensão seria uma catástrofe em qualquer país. Mas esse foi um desastre natural apenas em parte. Observe o Haiti e você verá o que gerações de governos corruptos, pobreza e hostilidades podem fazer com um país. O Haiti sofre há muito tempo e está fora dos trilhos. Mas os haitianos não precisam de pêsames. Eles precisam de ajuda e da capacidade de ajudar a si mesmos.

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