Editorial - Guerra no Afeganistão faz mais vítimas

As notícias que chegam do Afeganistão são assustadoras. Esta semana o Taleban realizou dois de seus ataques mais complexos e audaciosos de toda a guerra.

The New York Times |

Quase 100 insurgentes mataram 10 soldados franceses  num atentado perto de Cabul. Pelo menos 10 homens-bomba realizaram explosões coordenadas a uma das maiores bases militares dos Estados Unidos, ferindo três soldados americanos e seis afegãos. Um ataque anterior contra esta mesma base matou 12 afegãos.

O número de perdas para os Estados Unidos e a Otan aumenta tão rapidamente que a menos que se faça algo rápido esse pode se tornar o ano mais mortal da guerra no Afeganistão. Cabul, centro do governo pró-ocidente do país, está cada vez mais cercada e as forças do Taleban e Al-Qaeda consolidam seu controle sobre  um território cada vez maior em ambos os lados da porosa fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

Isso é perigoso porque quanto maior o território controlado pelo Taleban, mais dinheiro a facção poderá conseguir através do mercado negro e da venda de narcóticos, criando um desafio ainda maior para os governos civis em Cabul e Islamabad. Quanto maior o território nas mãos do Taleban, maior liberdade a Al-Qaeda terá para realizar operações terroristas contra este e outros países.

Não há tempo há perder. A menos que os Estados Unidos, a Otan e seus aliados na Ásia ajam rapidamente, eles poderão perder esta guerra. As seguintes atitudes precisam ser tomadas nas próximas semanas.

Washington precisa deixar claro aos líderes do Paquistão a ameaça mortal que enfrentam. O exército local precisa esquecer a Índia e prestar atenção na luta contra o Taleban. Líderes civis precisam perceber que não pode haver paz separatista com extremistas. Enviar tropas americanas ou aviões de guerra ao Paquistão irá apenas alimentar a raiva anti-americana. Esse deve ser um trabalho realizado pelo exército paquistanês, com ajuda de informações de inteligência e apoio monetário cuidadosamente monitorado dos Estados Unidos.

Mais tropas de chão americanas terão que ser enviadas ao Afeganistão. A dependência do Pentágono em ataques aéreos (que levam a um alto número de perdas entre civis) antagonizou perigosamente a população afegã. Isso pode exigir um aceleramento na mobilização de tropas americanas do Iraque, onde a situação está menos desesperadora.

A Otan também precisa colaborar nos esforços militares. Com a ameaça da Rússia em redesenhar o mapa europeu da era pós-soviética, agora não é o momento para a Otan abandonar sua credibilidade militar ao perder a guerra. A Europa não tem muitas tropas também, mas precisa enviar as melhores que tem ao Afeganistão e deixá-las lutar.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, precisa controlar a corrupção que tomou conta de seu governo e levou as pessoas às mãos do Taleban e de líderes criminosos. A comunidade internacional precisa oferecer mais recursos (que sejam mais cuidadosamente monitorados) para melhorar as forças de segurança e capacidade administrativa, além de acelerar o desenvolvimento rural.

Esses investimentos irão demorar algum tempo para dar resultados, mas sete anos já foram gastos e, a menos que esses esforços sejam feitos agora, não haverá saída segura para o Afeganistão no futuro.

A guerra no Afeganistão não é um evento paralelo e sim o maior confronto militar entre América e Otan contra as forças responsáveis pelo 11/9 e posteriormente ataques terroristas mortais na Europa.

Washington, a Otan e os governos do Paquistão e Afeganistão precisam parar de lutar apenas por lutar e desenvolver uma estratégia para vencer. Caso contrário todos iremos perder.

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