Editorial - Guerra na Geórgia revela perigosa ambição russa

O presidente da Georgia, Mikheil Saakashvili, tragicamente atraiu os russos (e caiu na armadilha de Moscou) quando enviou seu exército ao enclave separatista da Ossétia do Sul na semana passada. A gestão Bush repetidas vezes atacou Saakashvili (apesar de aparentemente não desta vez) e olhou para o outro lado enquanto o Kremlin ameaçava e chantageava seus vizinhos e seu próprio povo.

The New York Times |

Não há desculpa imaginável para a invasão da Geórgia pela Rússia. Depois de atacar pontos civis e militares estratégicos com bombas e mísseis, veículos blindados russos entraram no país na segunda-feira gerando medo de um ataque à capital e ao governo democraticamente eleito de Saakashvili.

Moscou alega que está defendendo os direitos das minorias étnicas da Ossétia do Sul e Abkházia, que tentam conseguir a independência da Geórgia desde o início dos anos 1990. Mas a verdade é ambígua e vai muito além disso.

O primeiro-ministro Vladimir Putin (que se concentrou ao lado do novo presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, para levar a guerra adiante) parece determinado a retomar através da força e intimidação a maior parte possível da antiga União Soviética que conseguir sem retaliações.

Saakashvili (com suas ambições ocidentais e desejo de se unir à Otan) atraiu a ira de Putin. Mas o ataque à Geórgia também busca ameaçar a Ucrânia a abandonar a Otan e assustar qualquer país vizinho ou antigo satélite da União que cruze a linha projetada por Moscou.

Os Estados Unidos e seus aliados europeus precisam dizer a Putin da forma mais clara possível que esse tipo de agressão não será tolerada e que não haverá redivisão do continente.

Devido à riqueza do petróleo da Rússia e seu arsenal nuclear, o intermédio ocidental pode ser limitado, mas não inconseqüente. A Rússia ainda quer respeito, acordos econômicos e um lugar à mesa, incluindo uma participação na Organização Mundial do Comércio e um novo acordo político e econômico de cooperação com a União Européia. Moscou também quer concluir um acordo de cooperação nuclear civil com os Estados Unidos que pode valer bilhões.

Não se pode permitir que essas negociações continuem até que as tropas russas deixem a Geórgia, a guerra tenha acabado e ambos os lados concordado com um plano para aliviar a tensão na Ossétia do Sul e Abkházia. No mínimo, isso significa mediação internacional, mais autonomia para ambas as regiões e o alocamento de forças de paz verdadeiramente neutras no local (não tropas russas).

Saakashvili terá que abandonar sua ambição de reaver o controle sobre as duas regiões porque seu erro de cálculo resultou nos erros de seu exército e em danos ao seu país.

Os Estados Unidos e Europa também precisam rever seu relacionamento com a Rússia. Nenhum dos dois protestou o suficiente por ver Putin usar a riqueza do petróleo e gás russos para chantagear seus vizinhos, ameaçar a liberdade de imprensa local e prender oponentes.

A gestão Bush tornou o trabalho de Putin ainda mais fácil, alimentando ressentimentos nacionalistas com seu anseio descuidado por mísseis de defesa. Além disso, os europeus, que dependem demais do suprimento de gás russo, se enganam ao acreditar que estarão livres das ameaças de Moscou.

O ocidente quer e precisa da Rússia como um parceiro responsável. Para isso, o país precisa se comportar responsavelmente. Os Estados Unidos e Europa precisam deixar claro que nada menos do que isso será aceitável.

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