Editorial - Governo se prepara para assumir GM

O governo está prestes a ter maioria acionária em uma das maiores companhias automobilísticas do mundo, se, como é quase certeza, a General Motors entrar com pedido de concordata nesta segunda-feira. Se tudo sair de acordo com o planejado, os governos americano e canadense serão donos de quase 75% da companhia que emergirá deste processo - podendo assim ser donos majoritários por muitos anos.

The New York Times |

O presidente Barack Obama deve uma explicação detalhada aos contribuintes e eleitores americanos sobre os objetivos do governo e que tipo de medidas pretende adotar para alcançá-los. Ele deve deixar claro que o objetivo central é criar uma companhia lucrativa que faça carros que as pessoas queiram comprar e que sejam mais eficientes.

Particularmente, ele deve ser claro sobre como o governo irá lidar com os conflitos entre estes objetivos, a percepção desta gestão do interesse público e os objetivos mais concisos dos membros do Congresso.

A propriedade de uma companhia automobilística como a GM deve ser politicamente mais difícil do que parece de início. A insistência desta gestão de que não tem intenção em se envolver nas decisões diárias da General Motors é uma resposta razoável às preocupações de que as oscilações do processo político podem arruinar a companhia.

Nós concordamos que se o interesse dos contribuintes como acionistas devem ser protegidos, a GM não pode ser micro gerenciada por Washington. Tampouco o Tesouro ou membros do Congresso devem decidir que fábricas ou revendedoras serão fechadas, quantos trabalhadores devem ser demitidos ou contratados, que modelos de carros específicos a GM irá adotar e onde eles serão montados. Se o objetivo é transformar a GM em uma automobilística lucrativa o quanto antes para que possa ser passada a mãos particulares seria sábio deixar que profissionais cuidem da companhia.

O governo ainda teria os votos para indicar a maioria dos membros da diretoria e deve garantir que seus indicados serão dedicados a objetivos grandiosos de lucros e eficiência energética. Obama deve dizer ao povo americano que estes realmente são os objetivos finais. As decisões dos novos gerentes da GM não devem se envolver nas outras prioridades políticas do governo - como maximizar a empregabilidade nos Estados Unidos ou reduzir o desemprego em Michigan. E ele deve especificar o que irá acontecer se estes objetivos de lucros e eficiência combustível não forem atingidos.

Em março a gestão Obama permitiu que a GM pendesse à falência ao negar mais dinheiro do contribuinte à companhia, parcialmente porque ela dependia de carros utilitários enquanto seu carro mais econômico, o Volt, era caro demais para conseguir uma boa parcela do mercado no futuro próximo. Desde então, uma força-tarefa do governo se envolveu profundamente em todo tipo de decisão estratégica sobre a estrutura da operação econômica da companhia.

Não é inimaginável que o governo possa ter receios similares sobre a estratégia da GM no futuro e queira intervir novamente. O presidente deve dizer aos americanos o que eles devem esperar se esta nova era chegar.

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