Editorial: Gates comete erros em orçamento militar americano

O secretário de Defesa, Robert Gates, tem feito um esforço perceptível em trazer nova disciplina e foco aos gastos militares depois dos anos irrestritos e inconclusivos da gestão Bush.

The New York Times |

Ele fez escolhas mais difíceis do que seu antecessor, Donald Rumsfeld, e transferiu bilhões de dólares de sistemas complexos de pouco uso de lugares como Iraque e Afeganistão para armas necessárias imediatamente para as tropas que lutam as guerras atuais diariamente. O único problema é que ele não foi longe o suficiente.

Na verdade, muito foi feito sobre seus planos para limitar o jato F-22 da Força Aérea, mas ele quer comprar outros quatro aviões, totalizando 187. A produção deveria parar em 183.

Em sua coletiva de imprensa na segunda-feira, Gates prometeu acabar com programas que ultrapassam significativamente seus orçamentos ou usam dólares limitados dos impostos para comprar "mais capacidade do que o país precisa".

Se existe uma arma que se encaixa neste critério é o F-22. Ele foi criado para combater a União Soviética e não é usado nas guerras que este país realmente tem lutado. O jato de alta performance F-35 da Força Aérea, que começará a ser produzido em 2012 e tem o sábio apoio de Gates, usa tecnologia de ação furtiva para enganar radares inimigos como o F-22. Ele deve ser suficiente.

Há muito argumentamos a favor do cancelamento do navio de combate DDG-1000, criado para batalhas no meio do oceano que nenhum outro país está preparado para travar. Gates quer comprar três e nós achamos que o dinheiro poderia ser melhor investido em navios mais baratos como o DDG-51, que tem composto a frota principal há anos e que Gates propõe voltar a construir.

Ele deveria ter economizado mais do que US$ 1,4 bilhão no programa de defesa de mísseis e ido além nas reduções do tamanho do material de ação disponível para a Marinha e a Força Aérea. Ele deveria, no entanto, ser parabenizado por diminuir o Sistema de Combate do Exército.

Abandonar programas armamentícios desnecessários é essencial, mas quão melhor seria se eles nunca fossem construídos. O sistema de compras do Pentágono saiu de controle de tal forma que 70% das armas estiveram acima do orçamento no ano passado em um total de US$ 296 bilhões. Isso significa dinheiro real que poderia ser gasto em outros programas vitais. Gates diz que a reforma no processo de compra é uma prioridade - e deve ser.

Os militares precisam reconstruir para se recuperar das manchas do Iraque e Afeganistão e para isso será necessário reestruturar para atingir os desafios reais de hoje.

Gates tomou importantes medidas para atingir este objetivo com mais fundos para equipamentos de inteligência e vigilância (incluindo mais aviões não tripulados), forças especiais, especialistas para treinar unidades militares e para gastar em navios de combate que operam em águas rasas para apoiar o combate em terra. Ainda assim, metade deste orçamento será destinado aos tradicionais grandes programas de combate.

Mesmo com planos necessários para acelerar a expansão do Exército e dos Marines, Gates parece ter se mantido dentro dos números anunciados no mês passado: depois de ajustados pela inflação, os gastos básicos do Pentágono aumentarão de US$ 513 bilhões para US$ 534 bilhões, com US$ 130 bilhões a mais devidos pelo Iraque e Afeganistão.

Depois de dois anos nos quais se concentrou nas guerras e deixou o orçamento por conta de seu então vice, Gordon England, Gates assumiu o processo. Respeitamos sua determinação em tomar decisões baseadas no que é bom para o país ao invés dos interesses políticos. No entanto, poucos documentos são mais políticos do que orçamentos.

Agora ficará por conta dele e do presidente Barack Obama lidar com os lobistas do setor e seus aliados congressistas que buscam proteger sua fonte de dinheiro e então pressionar para que façam ainda mais no próximo orçamento.

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