Editorial: G20 precisa agir a respeito de desafios econômicos globais

Os líderes do Grupo dos 20 estão em Pittsburgh esta semana para sua terceira reunião desde que a crise financeira teve início, um ano atrás. A reunião provavelmente será positiva, com os líderes dos países desenvolvidos e grandes economias emergentes compartilhando crédito por evitar o abismo econômico. Mas será preciso muito mais do que isso para que a reunião seja um verdadeiro sucesso.

The New York Times |

As duas reuniões anteriores foram a respeito da projeção da capacidade e disposição de trabalharem juntos, que era uma meta louvável em novembro passado, quando os mercados estavam paralisados e a economia mundial em queda livre, e em abril, quando as economias de todo o mundo passavam por grandes dificuldades.

Para suprimir o pânico generalizado, os líderes do G20 precisavam mostrar uma frente unida. Para aliviar medos específicos de que repetiriam os enganos dos anos 1930, quando o protecionismo prolongou a Grande Depressão, eles precisaram afirmar um compromisso comercial aberto.

Eles tiveram sucesso em garantir que as condições não pioraram por causa de ações que tomaram ou deixaram de tomar, mas não confrontaram as causas e curas da crise financeira. Na verdade, eles tiveram êxito em grande parte porque aderiram aos efeitos colaterais da crise, como o dano aos mercados emergentes, evitando os assuntos mais difíceis, como os perigos representados por instituições grandes demais para o fracasso. Discordâncias sérias, como o tamanho correto e o papel dos estímulos fiscais, foram analisados apenas por cima.

A pergunta agora é se o G20 pode começar a chegar a um consenso em tais assuntos difíceis e divergentes. Se não, esforços de reforma regulatória de nações individuais serão impactados porque quase todos os assuntos urgentes - como a limpeza de ativos tóxicos, a regulação de derivativos, a redução das operações de grandes empresas interligadas - têm um componente internacional. Se os esforços de reforma forem prejudicados, há pouca esperança de se evitar que outra crise financeira como esta aconteça.

Os sinais, até agora, são mistos. É provável que os líderes concordem a respeito da necessidade de impor exigências capitais maiores a bancos e outras empresas financeiras. Isto é importante como uma declaração geral, mas uma reforma verdadeira exigirá um acordo a respeito de aumentos significativos nos níveis de capital, bem como a respeito de como o capital será medido e como as novas regras serão impostas.

Um consenso também é esperado a respeito de como regular o salário de executivos da indústria financeira. A inclinação aos incentivos compensatórios claramente levou à postura despreocupada que conduziu à crise. Mas a reforma no pagamento é apenas temporária. É mais importante ordenar reformas para garantir que os bancos não possam se ocupar de atividades primordialmente especulativas ou outras transações excessivamente arriscadas que conduzem a salários exagerados. Tais reformas incluiriam a restrição do uso de influência e da negociação de derivados obscuros para impulsionar os ganhos.

O G20 também deve chegar a um acordo sobre as formas de corrigir a questão do desequilíbrio global de longo prazo que criou as condições para um levante mundial. Resumindo, os Estados Unidos têm que reduzir seu déficit orçamentário e impulsionar as poupanças domésticas. A China tem que investir suas reservas na sua própria segurança social e assim aumentar o consumo, o que inevitavelmente envolveria reavaliar sua moeda.

Mas os líderes não devem permitir que isso obscureça preocupações mais urgentes: Os Estados Unidos têm que esclarecer onde se posicionam no comércio aberto, depois de ter abalado a fé na sua posição por ter imposto tarifas sobre as importações de pneus chineses. Nações grandes no G20 têm que se comprometer a manter o apoio governamental à economia mundial, incluindo o investimento em países pobres e mais gastos com estímulo para suas próprias economias.

Os Estados Unidos parecem ter pouco apetite para mais gastos com estímulo, embora o desemprego esteja aumentando. O compromisso com estímulo na Europa, principalmente na Alemanha, há muito é fraco demais, colocando pressão desnecessária sobre economias que estiveram dispostas a fazer mais para impulsionar a demanda.

O tempo passou para consenso apenas pelo consenso. A hora da reforma chegou.

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