Editorial: Formandos ilegais questionam o sonho americano

Nos vimos em meio a júbilo e desespero na terça-feira ao acompanhar mais de 500 jovens de becas em um parque a poucos metros do Capitólio dos Estados Unidos. Era uma formatura, mas não era. Todos receberam prêmios, mas não diplomas. E ainda que houvesse discursos sobre futuros brilhantes, eles estavam envoltos em impaciência e desafio, o que deixava claro que não havia nenhuma garantia.

The New York Times |

Isso tudo porque todos aqueles estudantes estão no país ilegalmente. Eles faziam um protesto para apoiar o Ato do Sonho, um projeto que está no Congresso para abrir caminho para a cidadania de formandos do Ensino Médio que completem dois anos de universidade ou serviços militares.

Estes estudantes vieram para o país como menores de idade, trazidos na garupa dos sonhos de seus pais por vidas melhores. Mas, depois que se formaram, eles viram que suas opções se restringiriam aos mesmos sub-empregos de seus pais.

O Ato do Sonho, sua melhor esperança, tem tramitado desde que foi anunciado pela primeira vez em 2001, anexado nos últimos anos à complexa reforma imigratória que não foi a lugar nenhum. A ampla estratégia 'tudo ou nada' alega que se um projeto bipartidário não tiver a mistura certa de adoçantes como o Ato do Sonho para amolecer os conservadores, não conseguirá votos suficientes para ser aprovada.

Esta estratégia não funcionou, mas seus defensores esperam que o presidente Obama lidere uma mudança. A juventude organizada que defende a proposta vem de mais de uma dezena de Estados e compartilha a esperança, mas agora sabem ter pouco tempo. Eles estão envelhecendo e sua janela para a legalização está se fechando.

O orador, Walter Lara, 23, que se formou com honra na universidade, foi pego pela imigração em Miami. Ele deve ser deportado para Buenos Aires no dia 6 de julho.

Apenas ao falar com ele e seus amigos que vieram da Flórida percebemos seu enorme potencial (que não tem para onde ir). Eles são da Argentina, Brasil, Colômbia, Peru. Todos frequentaram faculdades comunitárias. Mas por estarem aqui ilegalmente, eles não tiveram ajuda financeira estadual (pagaram US$ 800 por módulo, ao invés de US$ 250) ou acesso a empréstimos ou estágios.

Eles querem trabalhar com relações internacionais, psicologia, química, engenharia, comunicações de massa, ciência política. Mas um é faz-tudo e os outros trabalham em um restaurante e como voluntários na igreja.

A viagem até Washington levou 18 horas. Eles parecem cansados, solenes, esperançosos de uma forma que só os jovens têm e que impede qualquer desconfiança. Eles parecem incrédulos que a mensagem com a qual cresceram (trabalhe, estude e você terá sucesso) não se aplica a eles.

Leia mais sobre imigração ilegal

    Leia tudo sobre: imigração ilegal

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG