A economia global caiu na mais brutal recessão desde a década de 1930, ainda assim muitos políticos na Europa e Japão acreditam que há coisas mais importantes a se fazer do que tentar resgatar o mundo - e a si mesmos.

Quando Lawrence Summers, principal conselheiro econômico do presidente Obama, pediu que os países aumentassem os gastos públicos para impulsionar a demanda global, o ministro das finanças de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, representando a União Europeia, respondeu que a sugestão não "nos agrada".

Em um encontro realizado esta semana como preparação para a cúpula que reunirá as maiores economias do mundo em abril, ministros das finanças da União Europeia declararam já ter o suficiente para aumentar a demanda doméstica. Em Frankfurt, Axel Weber, o presidente do banco central alemão, acrescentou: "Nós chegamos ao limite". O governo do Japão está mais silencioso, mas igualmente resistente.

Os Estados Unidos, que aprovaram dois pacotes de estímulo, planejam gastar cerca de 4.8% de seu Produto Interno Bruto até 2010. A China planeja gastar quase 6% de seu PIB em programas de estímulo nos próximos dois anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.

Estes números ainda são pequenos. Ainda assim, a Europa e o Japão estão cada vez mais para trás. O impulso fiscal alemão somou apenas 3.5% de seu PIB. A França planeja gastar 1.4% nos próximos dois anos, e a Grã-Bretanha 1.3%. O Japão espera gastar 2.2% de seu PIB.

O Japão, que combateu a recessão durante a década de 1990, é limitado por um governo fraco e uma dívida enorme. A Europa, por outro lado, tem como gastar. Mas grandes nações do bloco que compartilham o euro como moeda temem que aumentar o déficit orçamentário possa prejudicar a fé dos investidores em suas economias a longo prazo e enfraquecer a moeda.

Diante da atual calamidade, estas preocupações parecem pequenas. Com o gasto do consumidor e o investimento comercial ruindo em todo o mundo, os países ricos são os únicos capazes de aumentar a demanda e acabar com os problemas econômicos. O preço da inércia está cada dia mais alto. O Banco Mundial agora prevê que a economia global irá contrair este ano pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

O que torna isso especialmente confuso é que as informações econômicas são horríveis tanto na Europa quanto no Japão. A produção industrial na França caiu 14% em janeiro, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

As exportações alemãs (que sustentam a economia do país) despencaram 21%. A confiança do consumidor também está diminuindo. O Banco Central Europeu espera que a zona econômica do euro diminua entre 2.2% e 3.3% este ano. O FMI espera que o Japão caia 2.6%.

Em 1933, uma conferência mundial em Londres foi realizada para a concretização de um plano que tirasse o mundo da depressão. No próximo mês, os líderes das maiores economias mundiais devem se reunir em Londres e usar novamente este formato, se encontrando para discutir como consertar o sistema financeiro mundial e restaurar o crescimento.

O mundo será muito melhor se eles conseguirem concordar em três questões: aumentar substancialmente os gastos fiscais domésticos, oferecer financiamento aos países mais pobres que não conseguem fazer isso sozinhos e evitar, de qualquer jeito, políticas protecionistas que podem retardar a recuperação em anos.

Em um discurso recente, Christina Romer, conselheira econômica do presidente Barack Obama, falou sobre a principal lição da Grande Depressão: o estímulo fiscal funciona. Quando mais países em torno do mundo fizerem isso, "melhor todos nós estaremos". A Europa e o Japão deveriam ouvir este conselho. Bem como Washington.

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