Editorial - EUA e Europa demoram a se posicionar em relação à invasão da Geórgia

O presidente russo Dmitri Medvedev prometeu aos mediadores europeus na manhã de quarta-feira que a Rússia iria interromper seus brutais ataques à Geórgia e retirar suas tropas do país. Poucas horas depois, tanques russos chegaram a cruzamentos estratégicos na cidade de Gori (a apenas 65km da capital Tbilisi).

The New York Times |

Não se sabe se isso significa que Medvedev não está no controle ou se ele mentiu para ganhar tempo para derrubar o governo democraticamente eleito da Geórgia, mas ambas as opções são assustadoras.

A Europa e os Estados Unidos precisam deixar claro a Medvedev  (e ao primeiro-ministro Vladimir Putin, que é quem dá as cartas no país) que mais agressões e mentiras não serão toleradas. Eles precisam deixar claro que a Rússia irá pagar um preço por isto, tanto em termos diplomáticos quanto econômicos, caso não retire suas tropas imediatamente, concorde com a mediação internacional e permita a alocação de tropas neutras de paz na região da Ossétia do Sul e Abkházia.

Bush finalmente decidiu enviar a secretária de Estado Condoleezza Rice a Tbilisi. Além de apoiar a democracia na Geórgia,  ela não deve deixar dúvidas sobre a impossibilidade de uma solução militar para a disputa com a Rússia (e reafirmar que os aviões e navios americanos a caminho do país serão usados apenas para entregar suprimentos humanitários).

Os Estados Unidos e a Europa ignoraram essa crise em andamento por tempo demais. O presidente Bush tentou se manter bem em ambos os lados, elogiando o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, quando ele enganou Moscou e fingindo não ver quando Putin ameaçava seu país vizinho. (Autoridades americanas insistem que alertaram o líder da Geórgia para que não caísse na armadilha de Moscou ao enviar tropas para a Ossétia do Sul, mas não foram persuasivas).

Mesmo depois que as bombas russas começaram a cair sobre a Geórgia na semana passada, Bush pareceu acreditar que seu antigo amigo Putin estava apenas descarregando o stress. Os europeus, que dependem demais do suprimento energético da Rússia, também se recusaram a ver. Na quarta-feira, alguns líderes europeus, incluindo o ministro de relações exteriores da Alemanha, ainda relutavam em culpar a Rússia.

Nicolas Sarkozy, o presidente francês, merece crédito por ir a Moscou e Tbilisi para tentar negociar um cessar-fogo. Agora, ele e Bush precisam insistir que tanto a Rússia quanto a Geórgia respeitem o acordo (o anúncio de ajuda americana fez com que Saakashvili mudasse o tom novamente) e comecem a negociar os termos de uma paz durável.

A soberania da Geórgia precisa ser garantida. Para isso, o país certamente terá que abrir mão das regiões disputadas (mas Moscou não deve poder anexá-las através da força). Ministros de relações exteriores da União Européia que concordaram em enviar entre 200 e 300 monitores precisam alocá-los rapidamente. Além disso, Washington e a Europa precisam pressionar o Conselho de Segurança da ONU para que autorize rapidamente o envio de mais tropas de paz.

Rice também deve ir a Moscou e entregar a mensagem de que essa situação está prejudicando a relação entre os países.

O Pentágono teve razão em cancelar os exercícios planejados com os russos, bem como os líderes democratas do Congresso ao colocar em espera um projeto de cooperação nuclear com fins civis que valeria bilhões.

Os Estados Unidos e seus aliados também precisam deixar claro a Moscou que a tentativa do país de se unir à Organização Mundial do Comércio não irá a lugar nenhum enquanto o país brutalizar seus vizinhos, bem como a União Européia deve dizer à Rússia que não dará continuidade a um acordo de cooperação política e econômica até que Moscou esteja disposta a se comportar como uma parceira responsável.

Esta invasão nunca deveria ter começado. Os Estados Unidos e Europa precisam insistir para que acabe agora.

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