Editorial: EUA concorrem a vaga no Conselho de Direitos Humanos da ONU

A gestão Bush (que desdenhou das Nações Unidas mais apenas do que o trabalho duro da diplomacia) optou por boicotar o deficiente Conselho de Direitos Humanos da organização. A gestão Obama decidiu concorrer a uma cadeira no órgão. Essa pode ser a melhor chance de remodelar essa vergonha internacional, mas não será fácil.

The New York Times |

O conselho condena com frequência e profusão os atos de Israel, mas quando o assunto é o genocídio do Sudão em Darfur ou os crimes de Robert Mugabe no Zimbábue, cinicamente fica de lado.

No mês passado, o órgão apoiou uma resolução paquistanesa pouco sensata contra a difamação religiosa que pode facilmente ser usada para justificar a censura e a perseguição oficial de não fiéis.

As fraquezas do conselho fazem parte de um problema maior dentro das Nações Unidas. Ao invés de se arriscarem a receber críticas por suas políticas, seus membros estão dispostos demais a conceder excessos uns aos outros (e chamam isso de respeito à soberania). Além disso, como muitos órgãos da ONU, o conselho concede participação com base em blocos políticos regionais, não por mérito ou atuação.

Como resultado disso, países como Arábia Saudita, Egito e Cuba (todos membros atuais) julgam a aplicação dos direitos humanos dos outros, ainda que rotineiramente abusem dos direitos de seu próprio povo.

Tornar o conselho confiável exigiria que os países que estão realmente comprometidos com os direitos humanos se ergam contra um pequeno grupo de violadores e o grupo muito maior que os acoberta. Isso nem sempre será fácil para Washington, uma vez que alguns abusadores crônicos (Egito e Paquistão veem à mente) são aliados ou parceiros estratégicos dos Estados Unidos. 

Washington definitivamente conseguirá uma cadeira no conselho no mês que vem, uma vez que concorre a uma vaga do bloco ocidental não disputada. A mera participação não será suficiente.

A diplomacia bem-sucedida está na criação de compromissos e de um consenso. Mas quando a diplomacia silenciosa falha, como geralmente acontece, os Estados Unidos precisam erguer sua própria voz, sem engano, em nome das vítimas sem voz da repressão.

Leia mais sobre direitos humanos

    Leia tudo sobre: direitos humanos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG