Editorial: Estratégia econômica da China deve ser revista por enfraquecer outros países

A estratégia econômica da China nas últimas duas décadas teve marcante êxito. Ao abrir suas portas ao investimento estrangeiro e manipular mercados de moeda corrente para impedir que o yuan aumentasse em relação ao dólar, ela atingiu consumidores do mundo industrial e conquistou um crescimento espetacular.

The New York Times |

Ainda que a estratégia ainda funcione para a China, ela está exacerbando a fraqueza econômica ao redor do globo. Se a China mantiver sua postura, é provável que outros países usem sua última arma disponível (o protecionismo) para impedir a entrada de produtos chineses artificialmente baratos. É fácil começar uma guerra comercial, mas difícil de se conter. Além disso, qualquer ação deste tipo atingiria as exportações de todos, prejudicando o crescimento em outros lugares.

Conforme a China inunda o mundo com exportações, o país marginaliza fornecedores de outros países em desenvolvimento. Isto já era ruim quando a economia mundial estava em crescimento. Agora, a estratégia da China está causando ainda mais danos. Em muitos países, esforços de estímulos fiscais foram enfraquecidos pelo fluxo de importações chinesas baratas que absorvem algum do dinheiro contribuído por programas destes governos.

Com o aumento ainda maior da demanda global, o governo chinês manipulou sua moeda corrente, o yuan, ainda mais agressivamente. Depois de permitir que o yuan se valorizasse gradualmente em relação ao dólar durante três anos, no verão de 2008 a China restabeleceu uma taxa cambial fixa, garantindo que o yuan acompanharia o dólar conforme a moeda caía em relação ao euro e ao iene. Isso criou uma enorme pressão sobre as economias da Europa e do Japão.

Se a China mantiver sua política de moeda corrente, isto dificultará ainda mais que países e a economia global se recuperem. Conforme governos já no limite diminuam seus estímulos fiscais, muitas economias terão que depender das exportações como uma fonte crucial de demanda enquanto seus consumidores reestruturarem suas finanças pessoais.

Esta tarefa será dificultada caso a China inunde o mundo com produtos baratos. As exportações da China obtiveram nítido êxito em dezembro depois de mais que um ano de declínio. Seu superávit comercial - depois da queda no ano anterior - deve se recuperar visivelmente em 2010.

Há estratégias mais saudáveis para a China. Principalmente desdobrar algumas de suas montanhosas reservas domésticas para pagar pelo negligenciados gastos sociais: saúde, educação e pensões. Isto ofereceria estímulo econômico significativo e melhoraria as vidas de seu povo.

Se mantiver como arma o yuan barato, no entanto, o país irá atrair uma resposta protecionista. A gestão Obama já cedeu a exigências políticas e impôs tarifas excepcionais aos pneus e tubos de aço chineses. O Congresso está atipicamente quieto, mas a paciência está acabando em Washington e em outros lugares.

A Índia deu entrada em uma pilha de reclamações comerciais contra a China. E recentemente o foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico pediu a adoção de "taxas de câmbio orientadas pelo mercado" para moedas correntes asiáticas, uma referência à manipulação da China. Em uma carta à Comissão Europeia em outubro, Peter Mandelson, comissário comercial da União Europeia na época, advertiu que "de certa forma, a jamanta chinesa está descontrolada".

Uma guerra comercial com a China seria desastrosa e propensa a atingir todo o mundo. Controle é necessário. Mas tememos que ninguém irá se controlar caso a China não mude sua estratégia.

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