Editorial: Estados Unidos precisam planejar sua retirada do Iraque

Não importa quem vença a eleição presidencial, os Estados Unidos irão se retirar do Iraque. O senador Barack Obama oferece uma agenda de retirada mais rápida e específica, mas mesmo o senador John McCain não será capaz de manter um grande número de tropas de combate no país por muito tempo.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Sem uma retirada maciça do Iraque, o Pentágono não terá tropas para manter a luta no Afeganistão (onde os Estados Unidos correm o risco de perder a verdadeira guerra contra o terrorismo promovido pela Al-Qaeda e o Taleban).

Caso isso não seja razão suficiente para dar início às preparações para a retirada, os iraquianos decidiram que já é tempo de diminuir a presença americana no país. Isso é a base de um novo acordo de segurança entre os dois lados que segundo as autoridades está quase pronto.

O acordo exigirá que as tropas de combate americanas deixem o Iraque até 2011 a menos que Bagdá peça que fiquem. Este prazo é maior do que meados de 2010, como planejado por Obama, mas ainda representa a data limite que o presidente Bush e McCain há muito se opõem mas agora serão forçados a aceitar.

Ainda não se sabe o que McCain quer dizer quando menciona uma "vitória" no Iraque. Mesmo os comandantes militares americanos reconhecem que os ganhos recentes na segurança local são frágeis e que não há perspectiva de que o Iraque possa se tornar a democracia estável imaginada por Bush e McCain.

O que sabemos é que apenas estabelecendo uma data final e um plano de retirada claro a América pode encorajar os iraquianos a implementar as reformas políticas que precisam para estabilizar seu país. Há muito a ser feito, e rapidamente, para garantir uma retirada segura, ordeira e que impeça mais danos ao Iraque e seus vizinhos.

Uma das tarefas mais urgentes da gestão Bush é garantir que o governo xiita iraquiano cumpra seu compromisso de integrar os cerca de 54 mil membros dos Conselho Despertador (sunitas pagos pelos Estados Unidos para oferecer segurança a bairros locais) à segurança local e outros empregos governamentais.

A decisão sunita de 2006 de trabalhar com os americanos ao invés de atacá-los foi um grave golpe à Al-Qaeda no Iraque e é uma dos maiores motivos para o declínio na violência no país.

O primeiro-ministro Nouri Kamal Al-Maliki e seus aliados nunca confiaram nos conselhos e temem que os sunitas estejam ganhando tempo para combater os xiitas. Ao invés de tentar conquistá-los, eles buscam meios para derrotá-los (um caminho muito perigoso).

Recentemente, o governo prendeu alguns líderes do Conselho Despertador e ameaçou cortar empregos prometidos aos membros do grupo. Para o Iraque funcionar pacificamente, todos os grupos étnicos tem que fazer parte do sistema.

O Parlamento Iraquiano, enquanto isso, deve ser reconhecido por finalmente aprovar uma esperada lei que oferece caminhos para as eleições provinciais até o final de janeiro. Bagdá e Washington devem se esforçar para garantir que as eleições sejam tão livres e justas quanto possível.

As eleições darão uma nova chance de participação política aos sunitas tribais e xiitas empobrecidos que anteriormente optaram por se abster ou foram proibidos de participar. As eleições também significam que alguns grupos agora no poder podem perder terreno e retomar a violência.  Encorajado pelo apoio americano incondicional, Al-Maliki não demonstra interesse em acomodar rivais políticos. Bush precisa insistir que ele trabalhe com outros líderes iraquianos para garantir que os resultados das eleições sejam respeitados.

Infelizmente, ainda não há solução para a grande disputa pela cidade de Kirkuk, etnicamente mesclada e rica em petróleo, onde as eleições foram adiadas até o ano que vem, ou para as exigências de cristãos iraquianos e outras minorias que buscam representação no governo.
Ainda não há uma lei que divida os recursos do petróleo iraquiano. O tempo para que Washington e Bagá encontrem respostas está se esgotando rapidamente. Como Alissa Rubin reportou na semana passada para o The Times, ainda há "muito pendente" no Iraque.

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