Editorial: Estados americanos sentem o peso da Grande Recessão

A esta altura, a maioria dos Estados equilibrou seus orçamentos para o ano fiscal que começou no dia 1º de julho. Para fazer isto, eles tiveram que preencher os maiores buracos orçamentários da história moderna (que somam quase US$ 143 bilhões).

The New York Times |

Ainda assim, seus problemas estão longe de terminar. Para começar, 10 Estados e o distrito de Colúmbia tiveram arrecadação menor do que o necessário este ano, em cerca de US$ 4 bilhões. E todos os 33 Estados prevêem déficits para o próximo ano, principalmente por causa da alta esperada para o desemprego que irá achatar as rendas de impostos enquanto aumenta a demanda por ajuda estatal. Estes déficits previstos (estimados entre US$ 160 bilhões e US$ 180 bilhões) são prováveis mesmo se o crescimento econômico for retomado, porque a contratação não deve acontecer até a recuperação.

A tensão fiscal contínua nos Estados prejudicará a habilidade americana de resistir à crise. Tanto oficiais estaduais quanto a gestão Obama têm de se preparar agora para uma situação que deve piorar antes de melhorar.

Em geral, os buracos no orçamento deste ano foram tapados com dólares do estímulo federal, fundos de emergência, cortes nos gastos, aumento de impostos e manobras de contabilidade.

No próximo ano, cerca de US$ 40 bilhões em estímulo federal serão disponibilizados para alívio fiscal estatal. Mas os fundos de emergência dos próprios Estados serão esvaziados com isso e, obviamente, soluções únicas se esgotarão.

Cortes nos gastos na escala dos que foram colocados em prática este ano são brutais. Estes cortes já atingiram os serviços às famílias de baixa renda, idosos e deficientes, a educação primária e creches, além de escolas públicas, faculdades e universidades. A maioria dos Estados também cortou sua mão-de-obra pública, prejudicando o acesso a serviços e a economia ao reduzir a renda e o gasto do consumidor.

Cortes cada vez mais profundos nos gastos arriscam danos a longo prazo a instituições como agências de serviços sociais, escolas, redes de postos de saúde, parques e foros culturais. Conforme funcionários são demitidos e as operações diminuídas, negligência e abandono se tornam a norma e fica cada vez mais difícil reconstruir.

Isso deixa duas maneiras de preencher os vãos antecipados: mais estímulo federal na forma de ajuda fiscal dirigida a Estados e mais aumentos nos imposto estatais. A gestão Obama disse que qualquer conversa sobre mais estímulo ainda é prematura. Politicamente, isso é provavelmente verdade. O Congresso está ocupado com a reforma do sistema de saúde e outros assuntos. O atual gasto com estímulo também será sentido com maior impacto nos próximos meses, assim oficiais desta gestão podem preferir esperar até que possam quantificar estes efeitos antes de pedir mais.

Mas quase não há dúvida de que mais será preciso. Os membros da gestão Obama têm que garantir que não irão se colocar em uma posição na qual pedir por mais estímulo seja depois visto como uma reversão política.

Os Estados não podem evitar o aumento dos impostos para ajudar a equilibrar seus orçamentos. Tanto o aumentos dos impostos quanto os cortes nos gastos são ruins em uma crise porque diminuem a demanda.

Mas os aumentos de impostos sobre moradores de alta renda são menos prejudiciais do que cortes nos gastos; contribuintes mais ricos tendem a pagar impostos mais altos sobre suas poupanças, não sobre o dinheiro que gastam. Com isso dito, os Estados terão dificuldades em aumentar os impostos se a reforma do sistema de saúde incluir maiores impostos federais, o que aumentaria a necessidade de mais estímulo.

Não há uma forma barata, fácil ou rápida para se sair da Grande Recessão. Liderança política é crucial para assegurar que os ajustes fiscais são justos e adequados.

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