Durante anos, a África do Sul foi motivo de piada internacional por causa de sua postura absurda em relação à epidemia de AIDS. Agora, aquele pesadelo nacional pode estar terminando.

O novo governo do presidente Jacob Zuma parece ter uma visão mais clara do que seu antecessor sobre o problema, suas soluções e a necessidade de melhoria do sistema de saúde como um todo. Consertar o que está quebrado não será fácil, mas nos sentimos encorajados pelos sinais de compromisso em se fazer isto.

Para entender aonde os líderes sul-africanos chegaram, é preciso relembrar de onde vieram.

O presidente anterior, Thabo Mbeki, deixou um histórico que ainda é difícil de entender: ele abraçou teorias malucas que disputavam o fato de que a AIDS é transmitida por um vírus tratável. Ele insistia que drogas anti-retrovirais são tóxicas e encorajava o uso de remédios à base de ervas inúteis. Ele chegou a reivindicar até mesmo que não conhecia ninguém com a doença, embora quase 20% da população adulta esteja vivendo com o HIV.

Milhares de africanos foram desnecessariamente contaminados e morreram. E o país mais influente da África subsaariana desperdiçou a oportunidade de conter a epidemia da AIDS. Embora tenha menos de 1% da população mundial, a África do Sul agora representa 17% do fardo das infecções mundiais pelo HIV.

Uma postura mais sã começou a tomar forma no ano passado, depois que Mbeki foi forçado a abandonar o cargo e Barbara Hogan foi nomeada ministra da saúde. Na semana passada, o novo ministro da saúde, Dr. Aaron Motsoaledi, foi ainda mais adiante.

Ele aceitou uma crítica de cientistas sul-africanos, que disseram que a postura do partido governante do Congresso Nacional Africano em relação à Aids e aos cuidado médico está cheia de problemas, e prometeu ações para remediar isto. "Nós assumimos responsabilidade pelo que aconteceu e responsabilidade sobre como iremos avançar", disse Motsoaledi em um artigo de Celia Dunger para o The Times.

Os líderes da África do Sul têm que aderir a conselhos sensatos e com base científica a respeito da Aids e colocar em ação programas que busquem tanto tratar quanto prevenir a doença. Isto significa ampliar os esforços para impedir que mães infectem seus bebês, desencorajar as pessoas de manter relações sexuais com múltiplos parceiros e oferecer a circuncisão aos homens, um procedimento cirúrgico relativamente simples que comprovadamente reduziu o risco de infecção na África do Sul.

O problema é maior que a Aids. Ainda que a África do Sul gaste mais em saúde do que qualquer outro país africano, a tuberculose é excessiva e os índices de mortalidade infantil estão subindo. O governo tem que trabalhar para melhorar a qualidade dos cuidados médicos, garantir que todos os sul-africanos tenham acesso ao sistema e demitir funcionários incompetentes.

Nada disso irá reverter os danos e mortes do desastroso legado de Mbeki, mas pode oferecer às pessoas da África do Sul um futuro melhor.

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