Editorial: Escolha de Palin gera dúvidas sobre as qualificação de McCain

Geralmente, o papel do vice-presidente é pequeno, a menos que aconteça uma tragédia. Mas a escolha de um parceiro por parte do candidato à presidência é algo vital. Essa é sua primeira decisão executiva e demonstra como seria sua liderança da nação.

The New York Times |

Se John McCain quer que os eleitores concluam, como argumenta, que tem mais independência, experiência e melhor julgamento do que Barack Obama, ele começou mal ao escolher a governadora do Alasca, Sarah Palin.

Os partidários de McCain tentam defender sua escolha como uma opção audaciosa que mostra que o candidato está preparado para tomar riscos que irão mudar Washington. (O pedido de mudança de Obama - agora "a mudança que precisamos" - tomou a cena em St. Paul.)


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Infelizmente, vemos o oposto. A escolha impensada de Palin reflete sua ação pelo impulso: uma jogada perigosa que fez depois que ativistas conservadores alertaram que iria haver uma revolta no partido caso escolhesse quem realmente queria (o senador Joseph Lieberman, de Connecticut).

A questão é, por que McCain iria se preocupar em agradar ativistas de direita (que ajudaram George W. Bush a eliminar sua candidatura nas primárias de 2000 de forma suja)? Francamente, eles não têm para onde ir. McCain conseguiria muito mais se demonstrasse sua independência e coragem ao se posicionar contra eles como fez em 2000.

Até onde se sabe, McCain e seus assistentes não fizeram a pesquisa necessária antes de escolher Palin, o que gera enormes dúvidas sobre sua capacidade de gerenciamento. O fato da filha de 17 anos de Palin estar grávida é irrelevante para sua candidatura. No entanto, há sérias questões sobre seu passado político e sua ideologia que deveriam ter sido levadas em consideração.

Se McCain queria romper com o passado de seu partido e escolher a primeira candidata à vice-presidência republicana poderia ter escolhido entre mulheres com mais experiência e melhor posição do que Palin, que está no cargo atual há menos de dois anos.

Antes de ser eleita governadora, ela foi prefeita de um pequeno subúrbio de Anchorage, onde sua maior conquista foi aumentar os impostos sobre as vendas para construir um estádio de hockey. De acordo com a revista Time, ela também tentou proibir alguns livros na biblioteca local e ameaçou incendiar a bibliotecária.

Agora, se torna cômico que McCain acuse Obama de ter pouca experiência depois de três anos no Senado americano uma vez que anunciou que alguém sem nenhuma experiência nacional ou em política externa irá substituí-lo, caso necessário.

O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que é um dos amigos mais fiéis de McCain, afirmou na terça-feira ter certeza que Palin tomaria as decisões certas em relação ao Iraque, à invasão da Geórgia pela Rússia e às ambições nucleares do Irã. Isso pareceu baseado amplamente na afirmação de McCain de que Palin terá seus conselheiros de política externa ao seu lado. Pode-se dizer que isso não foi um apoio completo à candidata.

Algumas das coisas que Palin disse no passado recente sobre a política externa são preocupantes. Num discurso realizado em junho na sua antiga igreja em Wasilla, Palin disse que a guerra no Iraque era "uma tarefa divina". Bush fez declarações similares ao rejeitar todos os melhores conselhos sobre como conduzir a guerra.

McCain, Graham e outros também dizem que Palin é uma reformista corajosa comprometida a combater a corrupção, fraudes e propinas. Palin mostrou alguma coragem ao derrubar alguns dos políticos mais sujos do partido republicano do Alasca. Mas ela também recebeu dinheiro de propina como prefeita e governadora.

Como prefeita, Palin recebeu US$ 27 milhões em subsídios de Washington, US$ 15 milhões dos quais foram destinados a uma linha férrea de sua cidade natal até o resort de ski onde vive o senador Ted Stevens, agora sob investigação por não reportar presentes.

Os republicanos mostram Palin como uma combatente da infame "Ponte para Lugar Nenhum" de Stevens. Mas sua história prova o contrário: ela inicialmente apoiou a futilidade de Stevens, desviando o dinheiro para outros projetos quando a ponte se mostrou um desastre político. Em seu discurso à Assembléia de Deus de Wasilla, Palin disse que era a "vontade de Deus" que o governo federal contribuísse com US$ 30 bilhões para um gasoduto que ela quer construir no Alasca.

McCain fará seu discurso de aceitação da indicação na quinta-feira e Palin falará nesta quarta-feira. As duas aparições irão formar a opinião pública sobre a candidatura republicana.

Como Graham percebeu, McCain tem que conseguir atingir além da base leal ao partido. "Nós precisamos vencer isso", ele disse. "Esta não é a disputa que podemos perder".

Os obstáculos de McCain serão inúmeros. Para começar, ele terá que sobrepujar as falhas de Bush. (O presidente falou à convenção na terça-feira e agora, os estrategistas de McCain esperam, irá se aposentar silenciosamente.) Entre o histórico está a guerra no Iraque, o aumento no déficit, a crise imobiliária... a lista é enorme.

Para lidar com estes problemas, o país precisa de um líder com capacidade de julgamento e forte liderança. A escolha de Palin gera sérias dúvidas sobre as qualificações de McCain. 

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