Editorial - Entramos na era pós-Bush

John McCain participa da luta contra o aquecimento global há anos, mesmo às custas de romper com a linha de ação republicana e com o presidente Bush sobre o assunto. Mas ainda foi um momento importante quando esta semana quando McCain o indicado à presidência dos Estados Unidos de seu partido, decidiu tocar no tema do aquecimento global durante a campanha. Nós claramente entramos na era pós-Bush nas políticas da mudança climática. Seja qual for o resultado dessas eleições, os Estados Unidos terão um presidente que apoiará os cortes nas emissões de gases causadores do efeito estufa. É possível começar a acreditar na possibilidade de ações concretas por parte do Congresso.

The New York Times |

Politicamente, McCain também pode estar se ajudando. Apoiar um esforço agressivo e potencialmente caro de reduzir as emissões de carbono não lhe ajudará a manter amigos na ala direita. Mas faz com que ele possa mostrar (a baixo custo, uma vez que ele realmente está envolvido nas questões) que não é um clone de Bush, mesmo que apóie as políticas do presidente em relação aos impostos, a justiça federal e a guerra no Iraque.

Como os pré-candidatos democratas, McCain propõe um sistema baseado no mercado no qual indústrias e outros poluidores terão limites na emissão de gases como o dióxido de carbono seja reduzindo as emissões por si próprias ou comprando créditos de produtores mais eficientes. Seu plano busca estabilizar as emissões em alguns anos e então cortá-las em 60% abaixo dos níveis medidos em 1990 até 2050.

Alguns democratas e ambientalistas rapidamente oscilaram dizendo que os objetivos de McCain são menos ambiciosos do que os 70% contidos num projeto de lei promovido pelo senadores Joseph Lieberman e John Warner que deve chegar ao Senado no próximo mês, ou os 80% propostos pelos senadores Barack Obama e Hillary Clinton.

Seu plano é diferente em outros aspectos também. Ele decidiu no último momento tirar de seu discurso uma tarifa proposta à países como a Índia e China que desafia acordos internacionais de emissão, parcialmente porque pode ser vista como hostil ao livre comércio, que McCain apóia. O projeto do Senado contém essa provisão. Enquanto isso, McCain está muito mais entusiasmado, e na nossa opinião com razão, a respeito da energia nuclear como uma fonte mais limpa do que o Senado ou os pré-candidatos democratas estão.

A essa altura, seria um erro analisar essas diferenças a fundo, inclusive a percentagem de corte. Com as emissões crescendo continuamente, e a demanda por energia também, qualquer plano que prometa um corte nas emissões exigirá investimentos enormes em novas formas mais limpas de produzir energia e veículos mais eficientes. Acima disso tudo, será necessário uma liderança determinada e corajosa de um presidente capaz de aceitar as verdades mais difíceis e pedir muito de seu país.

Assumindo que McCain e os dois pré-candidatos democratas realmente são sinceros no que dizem, ainda que só nessa questão, sentimos confiança nesse próximo presidente.

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