Editorial: Eleitores irão decidir o futuro da economia americana

No mês passado, quando defendeu o pacote de resgate diante do Congresso, o secretário do Tesouro Henry Paulson relutava em aceitar que o governo assumisse a propriedade dos bancos que os contribuintes iriam socorrer. Na quarta-feira ele disse que o Tesouro passou a considerar exatamente esta medida ao executar uma análise face a face e isso foi um alívio.

The New York Times |

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Nas semanas seguintes ao anúncio do pacote de resgate, os mercados financeiros e toda a economia continuaram a deteriorar, com o crédito ainda profundamente congelado e o mercado de ações afundando novamente nas últimas duas horas de negócios da quinta-feira.

Injetar dinheiro diretamente nos bancos em troca de propriedade ofereceria uma ajuda mais rápida e poderosa ao sistema financeiro do que as medidas propostas no plano de resgate original. Além disso, seria um acordo melhor para os contribuintes, porque daria a eles acesso direto a qualquer lucro pós-resgate conquistado pelo banco em questão.

O plano original de Paulson, que foi modificado pelo Congresso para incluir a possibilidade do governo assumir essas ações de propriedade, vislumbrava um processo complexo no qual o dinheiro dos contribuintes seria usado para comprar investimentos ruins dos bancos. Isso possibilitaria que os bancos voltassem a emprestar dinheiro e acabaria com muito do veneno que prejudicou sua saúde. Uma vez que os contribuintes graciosamente colocassem os bancos no caminho da recuperação, o plano original dizia que empresas privadas e outros investidores iriam injetar novo capital neles e reaver, por si mesmos, os lucros subsequentes.

Funcional, talvez, mas irritante. Investir dinheiro em troca de lucros é mais eficiente e (não por acaso) mais justo.

Ainda não se sabe como e até que ponto o Tesouro pretende injetar capital e assumir a propriedade destes bancos. Mas ficou claro que a nova postura seria uma mudança muito mais tática, apesar do presidente Bush e Paulson não admitirem isso.

De acordo com o plano original, o papel do governo seria pavimentar o caminho para que investidores privados retomassem o controle do sistema financeiro o quanto antes.

De certa forma, este plano seguia uma ideologia republicana de que o objetivo principal da ajuda do governo deveria ser ajudar o mercado a conseguir mais lucros e que em troca estes mercados serviriam melhor ao interesse público. Claramente, se este fosse o caso não estaríamos nessa situação. Assumir a propriedade em troca do dinheiro do contribuinte é reconhecer que o governo é a única força que pode nos tirar da crise (ao defender o interesse público).

Mesmo com um resgate serão precisos anos, não meses, para reparar os estragos. Agora está claro que Wall Street passou a maior parte dos anos Bush em meio a dívidas ruins, algo lucrativo enquanto durou, mas uma força destrutiva que causa estragos diários.

Na última contagem, 12 milhões de donos de imóveis tinham zero ou valores negativos sobre a propriedade de suas casas. Milhões estão em algum estágio de desapropriação. Aposentadoria e outras economias, para os americanos que as têm, estão sendo dizimadas e o desemprego está aumentando. Os consumidores estão retrocedendo, uma reação compreensível, mas que prejudica ainda mais a economia. Certamente teremos outros choques econômicos, entre eles, falências corporativas e emergências orçamentárias governamentais.

Como iremos sair desta crise não se sabe, mas sabemos como entramos nela. A questão (que será feita aos eleitores em novembro) é se a nação aprendeu com seus erros, ou se a atitude desregulamentadora e anti-governamental das últimas décadas será reinstituída quando a economia começar a se recuperar.

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