Editorial - Eleições no Líbano demonstram poder da democracia

Boas notícias no Oriente Médio são raras. Por isso, as eleições parlamentares do Líbano se destacaram na semana passada. Forças pró-ocidente obtiveram uma sólida vitória sobre o Hezbollah. Isso representa um grande empecilho para os defensores do grupo militante no Irã e Síria.

New York Times |

Depois de anos de disputas infindáveis, os eleitores do Líbano parecem ansiosos por normalidade. O esforço do presidente Barack Obama em alcançar o mundo muçulmano parece ter ajudado a bloquear os extremistas nas urnas. Bem como a visita pré-eleitoral do vice-presidente Joseph Biden ao Líbano - uma bem-vinda demonstração de apoio à coalizão pró-Oriente.

Mas o Hezbollah, cuja milícia pode ser mais forte do que o exército libanês, ainda é a força política mais poderosa do país. Além disso, Síria e Irã não devem parar de se intrometer. Obama foi sábio em mandar seu enviado especial do Oriente Médio, George Mitchell, a Beirute na quinta-feira e a Damasco na sexta. Há muito que negociar.

No Líbano, isso inclui a possibilidade de mais ajuda americana para fortalecer o exército e pagar por programas de desenvolvimento que podem prejudicar o apelo do Hezbollah. A coalizão também precisa ser pressionada para acalmar as divisões entre os sunitas, xiitas e cristão libaneses ao invés de alimentá-las conforme seus críticos alegaram durante a campanha.

Na Síria, Mitchell precisa entregar a mensagem de que se Damasco quer um alívio às sanções e maior contato diplomático, então precisará restringir o Hezbollah e se afastar do Irã. Os sírios podem tirar conclusões erradas da derrota do Hezbollah e criar mais tumultos. Depois, Mitchell deve avaliar se é o momento de encorajar negociações de paz entre o país e Israel.

A votação deu aos pró-ocidentais da coalizão 14 de Março, que é liderada pelo bilionário sunita Saad Hariri, 71 das 128 cadeiras do Parlamento. A oposição liderada pelo Hezbollah conseguiu 57 cadeiras. A natureza complexa da política libanesa (a oposição tem poder de veto no atual gabinete) faz com que sejam quase certas as disputas internas antes que o governo seja definido. As tensões políticas também podem gerar uma nova guerra civil. Mas esperamos que a Síria e o Irã não alimentem isso.

Esperamos também que o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, tenha sido verdadeiro quando disse que aceita o resultado das eleições. A oferta de Hariri de que haja consideração de um lugar para o Hezbollah no governo deve ser explorada - se o Hezbollah estiver pronto para abandonar a violência em nome da política democrática.

Em seu discurso no Cairo, Obama falou sobre a possibilidade de trabalhar com o Hezbollah se o grupo fizer isso. Os eleitores libaneses enviaram sua mensagem. Eles estão cansados do extremismo. O Hezbollah e seus líderes devem ouvir.

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