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Editorial: Eleições iranianas não foram livres e verdadeiras como insiste Ahmadinejad

Não há transparência ou prestação de contas no Irã, então nunca saberemos com certeza o que aconteceu nas eleições presidenciais da semana passada. Mas dada a reação governamental ainda mais brutal do que o comum, certamente parece fraude.

The New York Times |

Apesar das pesquisas indicarem um segundo turno entre os dois principais candidatos, as urnas mal haviam sido fechadas antes que as autoridades declarassem a vitória do presidente linha dura, Mahmoud Ahmadinejad. A margem de votos foi ampla: 62.6% versus pouco menos de 34% para o principal oponente, Mir Hossein Mousavi .

Nós entendemos porque tantos iranianos acharam isso impossível de acreditar. Moussavi atraiu imensas multidões de partidários entusiasmados a seus comícios e as pesquisas da oposição sugeriam que ele, não Ahmadinejad, estava na frente. De maneira ainda mais improvável, e cínica, as autoridades alegaram que Ahmadinejad conquistou as cidades de seus oponentes (inclusive a de Moussavi) com ampla margem de votos.

Quando manifestantes saíram às ruas nos protestos mais turbulentos em décadas, a polícia os atacou com cacetetes. O governo também fechou universidades em Teerã, bloqueou celulares e mensagens de texto e cortou o acesso a websites.

No domingo, conforme os protestos continuavam, as autoridades prenderam mais de 100 membros proeminentes da oposição e expulsaram alguns jornalistas estrangeiros do país. De acordo com as notícias, Moussavi permaneceu em sua casa mas era vigiado de perto. Em uma triunfal coletiva de imprensa, Ahmadinejad parecia ameaçar seu rival, declarando que o ex-primeiro-ministro "ultrapassou o sinal vermelho e recebeu uma multa".

Se as eleições tivessem sido realmente "verdadeiras e livres" como Ahmadinejad insistiu, os eleitores teriam aceito o resultado e o governo não teria que recorrer à repressão.

Depois de quatro anos das políticas econômicas fracassadas de Ahmadinejad e inúmeros confrontos com o Ocidente, muitos eleitores iranianos estão claramente em busca de mudança. Moussavi prometeu essa mudança, além de maior liberdade pessoal, inclusive para as mulheres. Se Teerã se recusa a reconhecer essa necessidade e respeitar a vontade de seu povo (que na maioria é jovem demais para se lembrar da revolução islâmica de 1979) o governo irá perder ainda mais legitimidade.

Os mulás mantiveram grande controle do Irã até agora. Mas eles não devem se esquecer do que aconteceu quando o xá perdeu a confiança de seu povo.

As eleições são outro potente lembrete de que não pode haver ilusões sobre o governo iraniano e sua intensão maligna. Este é um duro fato político.

As centrífugas iranianas ainda estão a todo vapor e seu programa nuclear avança a um ritmo alarmante. Este é um fato científico ainda mais duro.

Sabemos que algumas pessoas neste país e em Israel dirão que esta eleição é a prova de que não há como lidar com o Irã e que uma ação militar é a única opção. Mas a última coisa que os Estados Unidos ou Israel precisam é outra guerra contra um Estado muçulmano. Um ataque iria apenas alimentar as ambições nucleares do Irã e uma tentativa ainda maior de escondê-lo.

A única escolha viável é apostar em negociações apoiadas por incentivos e sanções. Mesmo se os mulás tivessem permitido que Moussavi vencesse, essa ainda seria a melhor opção.

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