Editorial: Disputa pelo preço do gás faz Europa voltar a tremer

Há três anos, a Europa foi abalada por uma disputa pelo preço do gás entre Rússia e Ucrânia que cortou o fornecimento do produto a todo o continente. Isso gerou muitas negociações sobre a necessidade de uma posição unificada em relação a Moscou (e a corrida de alguns membros para garantir acordos separados). Agora, aconteceu de novo, e com cortes ainda maiores, a única surpresa é que alguém na Europa tenha se surpreendido.

The New York Times |

Neste caso, é discutível quem é o principal responsável pelo corte do gás russo que passa pela Ucrânia. A Rússia sente a queda do preço da energia e está ansiosa para se aproximar do preço de mercado da Ucrânia. Além disso, o primeiro-ministro Vladimir Putin também não vê problema em usar a energia para promover suas ambições imperiais. Mas a Ucrânia não é uma vítima inocente. Seu presidente e primeiro-ministro estão no meio de uma profunda disputa de poder e sua indústria de energia em acordos políticos e empresariais suspeitos.

Tudo isso era sabido em 2006. Desde então, nem a Rússia nem a Ucrânia fizeram qualquer esforço para estabilizar o setor de gás natural (nem sentiram qualquer pressão externa para isso). A gestão Bush achou muito mais importante tentar incluir a Ucrânia na Otan do que pressioná-la por uma reforma no setor de energia. Alemanha, França e outras nações europeias gastaram todo seu tempo em busca de favores com Putin, enquanto a União Europeia ficou de lado.

Na noite de quinta-feira, a União Europeia anunciou um acordo com a Rússia para supervisionar o fluxo de gás que passa pela Ucrânia. Isso será uma solução temporária. Europa e Estados Unidos devem pressionar para que ambos os países criem uma agenda racional para equilibrar o preço de seu gás ao do mercado (um que não leve a Ucrânia à falência mas que também garanta acordos mais justos para Moscou).

Europa e Washington pesaram a questão. A Gazprom, empresa russa de gás, precisa muito de investimentos, bem como a Rússia precisa de seus lucros. Já Ucrânia quer se aproximar do Ocidente. Considerar estes pontos, no entanto, exige que a Europa se una para falar com a Rússia. A próxima gestão americana terá que ter uma postura clara em relação a Putin (algo que o presidente Bush nunca conseguiu).

O grande tremor desta semana é mais uma lembrança do porque a Europa precisa reduzir sua dependência do gás russo (criando mais espaço para o estoque e investindo em fontes de energia alternativas). O fluxo de 100 bilhões de metros cúbicos de gás que passa pela Ucrânia representa 40% da importação do produto pela União Europeia.

Juntamente com os Estados Unidos, os europeus precisam criar uma estratégia para moderar ou conter o jeito provocador de Putin. No mês passado o parlamento russo ampliou a presidência no país para seis anos. Quase todos (dentro ou não da Rússia) apostam que logo Putin estará de volta ao cargo.

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