Editorial: Detroit recebe ajuda do governo para investir em tecnologia eficiente

Enquanto a Casa Branca e o Congresso negociavam o plano de resgate de US$700 bilhões aos bancos americanos, outro tipo de ajuda foi aprovada pelo Congresso e ficou fora do radar da mídia: US$25 bilhões em empréstimos subsidiados para as automotivas de Detroit.

The New York Times |

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A generosidade mostrada pelo governo na semana passada inspira dois pensamentos. Há uma longa lista de setores em dificuldades que  poderiam facilmente usar os bilhões públicos a seu favor. Mas as finanças públicas parecem mais escassas a cada aprovação de resgate.
Então parece uma boa idéia que o Congresso, e esta gestão, evitem  conceder grandes quantias de dinheiro ao setor corporativo, pelo menos por enquanto.

Além disso, ainda que esse dinheiro tenha sido ostensivamente  direcionado à criação de veículos mais eficientes no consumo de  combustíveis, nós tememos que as automotivas de Detroit sintam-se  tentadas a fazer outro uso dele. O Departamento de Energia, que está  encarregado de criar critérios detalhados para que as companhias  consigam empréstimos, deve incluir uma provisão para a fiscalização do programa que garanta que o dinheiro não será usado para outros fins.

Os empréstimos são limitados a fábricas com pelo menos 20 anos de  existência, o que limita a ajuda ao trio de Michigan e três fábricas da Honda. O dinheiro deve ser usado para reformar fábricas antigas  para que possam criar veículos pelos menos 25% mais eficientes no  consumo de combustível do que modelos similares em suas classes (um  objetivo fácil, de acordo com os especialistas).

Mas as automotivas planejam usá-lo para aliviar o impacto da alta dos  combustíveis nas vendas e gastar parte do dinheiro para cobrir os  custos com saúde e pensão de funcionários aposentados. Como qualquer outro negócio, elas foram atingidas pela crise financeira. Por isso, as companhias pediram mais dinheiro e tentaram aliviar as restrições de uso.

Há outras questões, talvez mais urgentes, para o dinheiro público do  que meramente salvar a General Motors, a Ford e a Chrysler: garantir  que todos americanos tenham acesso à saúde, melhorar as escolas  públicas, solucionar a previdência social do país. A lista é enorme.

Encorajar investimentos em tecnologias econômicas é algo possivelmente  bom. Ainda assim, o governo tem a responsabilidade de garantir que é assim que o dinheiro será gasto. Mesmo se este programa for ampliado, como sugeriram alguns membros do Congresso, um bom alvo seriam as automotivas japonesas localizadas nos Estados Unidos que atualmente investiram de forma bem-sucedida em tecnologias mais eficientes.

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