Editorial - Desemprego gera necessidade de maiores benefícios aos trabalhadores

Os americanos não precisam esperar as estatísticas para saber que os tempos estão difíceis. Em abril, pelo quarto mês consecutivo, a economia perdeu empregos. Os economistas disseram que a contratação não foi tão ruim quanto o esperado - 20.000 foram eliminados em comparação à previsão de 75.000. Mas algo não tão ruim quanto o esperado não chega a ser exatamente bom.

The New York Times |

As últimas análises mostram outros problemas para os trabalhadores americanos, como o lento aumento dos salários, a diminuição das horas de trabalho, o número de funcionários em meio-período que gostariam de trabalhar período integral e a falta de vagas.

A resposta da Casa Branca é esperar e ver se as coisas pioram antes de pedir que os desempregados recebam alguma atenção. Na sexta-feira, o presidente Bush afirmou que sua administração antecipou o problema e que irá combate-lo com a restituição fiscal aprovada em fevereiro como parte de um pacote de estímulo econômico.

Não há garantias, no entanto, que essas restituições - que já estão sendo distribuídas - irão estimular a economia como esperado. Ao invés de gastar o dinheiro, muitos consumidores endividados provavelmente irão usá-lo para pagar o que devem, e algumas pessoas, com medo do desemprego, devem economizá-lo.

Além disso, não há mais tempo para esperar e ver. Em abril, o número de americanos sem trabalho por ao menos 27 semanas (o seguro desemprego acaba depois de 26 semanas) chegou a 1.35 milhões. No ano passado, 2.74 milhões de desempregados exauriram seus benefícios.

A falta de empregos afetará claramente as finanças familiares e com isso os gastos do consumidor e o crescimento econômico. A falta de empregos juntamente com o fim dos benefícios ao desempregado leva não apenas ao desespero pessoal, mas prejudica também a confiança do consumidor, já danificada com os problemas de crédito, moradia e os altos preços dos alimentos e da gasolina.

Agora é necessário que o Congresso aumente os benefícios do seguro desemprego à pessoas que tenham usado suas 26 semanas de seguro. As pesquisas mostram que aumento dos benefícios é mais eficaz do que a restituição fiscal. Além disso, o seguro desemprego é melhor direcionado à pessoas com necessidades reais.

O aumento poderia ser parte do projeto de lei de gasto suplementar na guerra no Iraque, que pode ter que passar pelo Congresso essa semana. Previsivelmente, o presidente Bush evita o problema, principalmente por sua concepção errada de que a restituição fiscal será a solução.

A Casa Branca também afirma que com a taxa de desemprego ao redor de 5%, o problema ainda não é tão grande para que o programa de benefícios seja ampliado. Mas em recessões anteriores, os benefícios já haviam sido ampliados quando o desemprego de longo-prazo chegou ao índice atual. E em recessões atuais, o índice de desemprego não chegou ao seu ápice até que a situação começasse a melhorar. Esperar que o desemprego aumente para ampliar os benefícios aos desempregados irá ajudar pouco e provavelmente tarde demais - piorando assim os problemas relacionados à recessão.

O Congresso errou ao não ampliar os benefícios ao desempregado no pacote de estímulo de fevereiro. Legisladores e Bush têm uma segunda chance de corrigir esse erro. Eles não podem perdê-la.

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