Editorial: desastre Exxon Valdez completa 20 anos

Amanhã é o 20º aniversário de um dos maiores desastres ecológicos desta nação. O acidente do petroleiro Exxon Valdez, que bateu contra o coral Bligh em Prince William Sound, no Alasca, derramando 11 milhões de galões de petróleo cru, prejudicando 1.300 milhas de costa, interferindo na vida de milhares de americanos e danificando um dos mais ricos mares para a pesca do país.

The New York Times |

Mais de US$ 2 bilhões foram gastos na limpeza e recuperação da região. A companhia Exxon pagou pelo menos US$ 1 bilhão em danos. Os petroleiros foram reforçados, as equipes de emergência melhor equipadas. Algumas espécies de peixes, ainda que não todas, se recuperaram.

Ainda assim o acidente Exxon Valdez ainda reverbera uma mensagem: a exploração do petróleo, ainda que necessário, é muito arriscada e suja (principalmente nas águas do Ártico).

A Casa Branca deveria manter isso em mente ao mapear sua estratégia de energia. Enquanto enfatiza a conservação, eficiência e o uso de energias renováveis, o presidente Barack Obama disse que a exploração de petróleo e gás nas águas costeiras da América podem continuar a fazer parte do acordo. Aqui, o desafio é fazer direito e com cuidado.

O secretário do interior de Obama, Ken Salazar, disse que não irá correr para a exploração marítima (um ótimo contraste em relação à mania "perfure baby perfure" da campanha republicana de 2008). Ele já revogou o plano da gestão Bush de abrir enormes trechos da costa Atlântica e Pacífica para a perfuração. Ele prometeu uma proposta mais comedida até o final do ano.

Salazar também precisa tomar decisões sobre as águas do Alasca e do Golfo do México, que contêm as maiores reservas da América e sempre foram abertas à exploração. A perfuração no golfo causou relativamente poucos problemas ambientais e é amplamente aceita.

Já a exploração nas águas do Alasca é diferente. O impiedoso ambiente ártico é muito mais arriscado - águas frias e turbulentas podem dificultar a contenção de óleo derramado. Além disso, os danos ecológicos podem ser enormes porque estas águas contêm parte da vida marinha mais variada da Terra.

A decisão mais fácil para Salazar seria restaurar a proteção da Baía de Bristol no Alasca. O presidente George H.W. Bush proibiu a exploração no local após o desastre Exxon Valdez - mas a medida foi revertida por seu filho George W. Bush em 2007.

A Baía de Bristol contribui em peso para o lucro anual de US$ 2.2 bilhões em pesca na região (cerca de 40%, em termos monetários, da pesca costeira do país). O desenvolvimento de petróleo e gás, de acordo com o Serviço de Gerenciamento de Minerais do Interior, obteria lucro total de US$ 8 bilhões de 20 a 40 anos.

A gestão Bush tinha planos ainda mais ambiciosos para outras águas no Ártico (abrir 40 milhões de acres do mar Chukchi e 33 milhões de acres do mar Beaufort para a exploração). Em 2008 um acordo de uso de 2.3 milhões de acres foi vendido e agora se encontra desafiado em corte. A menos que a gestão Obama mude de rumo, outros acordos nesta região serão oferecidos.

Estes planos, também, pedem reconsideração. Salazar falou sobre a exploração da energia dos ventos e das mares. Dada a fragilidade do meio ambiente, as necessidades energéticas do país a longo prazo e a ameaça de um novo desastre Exxon Valdez, estas mudanças seriam mais seguras do que a perfuração no Ártico.

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