Editorial: Depois de Dubai

No mês passado, quando parecia que Dubai iria falir, abalando os mercados financeiros de todo o mundo, seu vizinho rico intercedeu e resgatou o país com um empréstimo de US$ 10 bilhões. Infelizmente Dubai não é o único país em risco. A Grécia também está com problemas, assim como a Irlanda.

The New York Times |

Outros países podem ter o mesmo destino. A menos que os países mais ricos do mundo resgatem os mais enfraquecidos, a crise financeira global pode entrar em uma nova fase e impedir a recuperação que parece ter começado a acontecer.

Dubai criou seus próprios problemas. O emirado pobre em petróleo pediu dinheiro emprestado ostentosamente pra financiar um frenesi de construções e começou a ter problemas com a implosão da bolha imobiliária. Outros países, também estão em dificuldades depois de uma década de dívidas alimentadas pela extravagância. Mas também há espectadores inocentes que podem ser derrubados pela maré financeira. Orçamentos governamentais foram prejudicados pela recessão global (reduzindo o recolhimento fiscal conforme medidas de seguro desemprego e estímulo fiscal aumentaram os gastos). Isso também reduziu as opções dos governos de combater a contínua fraqueza econômica.

Os países mais imediatamente vulneráveis estão na União Europeia. O déficit orçamentário da Grécia explodiu por causa do impacto da recessão, levando à diminuição de seu índice de crédito e queda no preço de suas ações. A economia da Irlanda deve contrair 7,5% em 2009, a da Itália 5,1% e a da Espanha 3,8%.

Este é um ótimo argumento para que economias europeias mais estáveis resgatem seus vizinhos pobres. Declarações como a do ministro das finanças da Alemanha, que sugeriu que a Grécia afunde ou nade sozinha, representam um tiro no pé europeu. Se a Grécia se tornar inadimplente em suas dívidas, os investidores irão se afastar de outros países europeus como pouco crescimento e grandes dívidas -- empurrando os mais fracos à uma crise própria.

O crescimento nestes países é gravemente prejudicado por um euro forte, que diminui sua competitividade internacional. Com orçamentos esticados demais tirando ainda mais estímulo da mesa, os analistas financeiros sugerem que os países podem se sentir tentados a abandonar o euro para conseguir crescimento. O sofrimento também se espalha fora da Europa. Agências de análise diminuíram o crédito do México, cujo déficit orçamentário aumentou visivelmente diante da contração de 7,3% da economia no ano passado.

Estes problemas podem ter repercussões mais profundas e duradouras. A queda do euro seria desastrosa (criando um possível choque nos mercados financeiros) aprofundando e ampliando a recessão mundial. Alguns observadores temem que a tolerante Dubai será levado às mãos mais conservadoras de Abu Dhabi. E a economia mundial está frágil demais para aguentar outra rodada de mercados à deriva.

Entendemos que os eleitores de países ricos e industrializados podem estar cansados de resgatar. Ainda assim, os resgates são necessários. Para começar, os países mais poderosos da União Europeia (como a Alemanha) precisam resgatar seus vizinhos pobres. Mas outros países, inclusive os Estados Unidos e China, devem se prontificar a ajudar. Pode ser caro. Mas será mais barato do que outra rodada de crise.

Leia mais sobre crise financeira

    Leia tudo sobre: crise financeira

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG