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Editorial: Democratas, não desistam agora!

Seria um erro terrível se os democratas abandonassem uma reforma completa do sistema de saúde apenas porque eleitores de Massachusetts decidiram na semana passada que http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/01/20/candidato+republicano+ganha+eleicao+e+obama+perde+dominio+no+senado+9369761.html target=_topgostam mais do republicano Scott Brown do que da democrata Martha Coakley.

The New York Times |

Não há dúvida de que sem uma maioria à prova de obstruções será muito mais difícil aprovar um projeto de lei. Mas não deve ser impossível, caso os democratas e a Casa Branca mostrem coragem e criatividade. A reforma do sistema de saúde é importante demais para ser jogada fora e é tarde demais para se convencer os eleitores de que ela representa seu interesse.

O Congresso está muito perto de aprovar leis que irão dar cobertura à maioria dos americanos e oferecer mais segurança a todos ¿ garantindo que se eles perderem seus empregos, poderão manter planos de saúde baratos e sua cobertura não poderá ser negada por causa de condições pré-existentes.

Se os democratas desistirem agora, perto da reta final, a oportunidade de uma reforma de larga escala pode ser perdida por muitos anos. Enquanto isso, o número de pessoas sem planos de saúde, atualmente mais de 46 milhões, continuará a aumentar e as condições do sistema de saúde a piorar.

Muitos democratas, em pânico, veem a vitória de Brown como prova de que eleitores irritados irão puni-los em novembro caso pressionem pela aprovação da reforma. Nós acreditamos que isso é uma interpretação incorreta do que aconteceu e do que é possível.

Coakley realizou uma campanha inadequada - ainda que a Casa Branca não tenha feito o suficiente para lidar com os profundos e legítimos temores dos eleitores que têm perdido seus empregos e suas casas. Mas o presidente Barack Obama e democratas do Congresso também fracassaram claramente em explicar porque a reforma irá tornar a vida dos americanos mais segura - e não menos.

O que torna a situação ainda mais frustrante é que Massachusetts, que adotou sua própria reforma do sistema de saúde em 2006, é um dos melhores exemplos tanto dos benefícios quanto da popularidade de tal mudança.

Uma pesquisa realizada em Massachusetts pelo The Washington Post, a Fundação Família Henry J. Kaiser e a Escola de Saúde Pública de Harvard após a eleição revelou que surpreendentes 68% dos que votaram disseram apoiar o plano em seu próprio Estado, incluindo pouco mais da metade daqueles que votaram em Brown.

Brown, que prometeu bloquear a reforma em Washington, votou pelo programa de seu Estado em 2006 e não fez campanha contra as mudanças nesse ano. Ao invés disso, ele argumentou que uma vez que os cidadãos de Massachusetts já tem plano de saúde, eles não deveriam pagar para ampliar a cobertura em outros Estados.

Esse argumento cínico não faz muito sentido - mesmo em Massachusetts. O projeto de lei diante do Senado contribuiria com verba para o programa de Massachusetts e esforços federais para controlar os gastos ultimamente beneficiariam todos os Estados.

Os democratas devem reavaliar o que realmente aconteceu em Massachusetts e então reunir a coragem necessária para agir e colocar em prática uma ampla reforma. Eles precisam deixar claro aos eleitores que têm pouco medo. Mesmo se a obrigatoriedade de se ter um plano de saúde não entrar em vigor até 2014. E eles precisam deixar claro que reforma oferece benefícios imediatos, especialmente para os americanos da classe média.

Quando o projeto for votado em lei, muitas crianças poderão permanecer nas apólices de seus pais até que completem 26 anos. Seguradoras não serão mais capazes de limitar os pagamentos por cuidados de saúde. Não será possível negar a cobertura a crianças por causa de doenças pré-existentes. A falta de cobertura para remédios a beneficiários do Medicare começaria a ser abolida. E pequenos negócios receberiam créditos fiscais imediatamente para oferecer cobertura a seus funcionários.

Pesquisas recentes mostram que o público está dividido, com mais pessoas se posicionando contra do que a favor do projeto de lei. As negativas têm sido impulsionadas pelas distorções dos críticos sobre uma suposta tomada da medicina pelo governo e da necessidade de acordos para se conquistar os 60 votos necessários para sobrepujar a obstrução republicana no Senado.

Ainda assim, uma pesquisa nacional recente realizada pela Fundação Família Henry J. Kaiser revelou que grandes camadas da população passaram a apoiar mais a reforma quando souberam dos créditos fiscais para pequenos negócios que oferecem cobertura, trocas entre apólices concorrentes e novas regras a respeito da rejeição de planos de saúde.

Nós ouvimos muita conversa em Washington, inclusive de Obama, sobre a possibilidade de equiparar os projetos atuais - para que cubram muito menos americanos sem plano de saúde e se concentrem em lidar com os principais abusos do setor. Isso pode ser tecnicamente difícil; muitos dos trechos do projeto não podem ser separados sem que isso prejudique sua eficiência. E a política praticada no Capitólio - onde os republicanos estão determinados a se opor a qualquer coisa que Obama apóie - deve ficar cada vez mais difícil.

O caminho mais promissor seria a Câmara democrata aprovar o projeto de lei do Senado como está e passar ao presidente para que o assine em lei. Isso permitiria que a gestão e o Congresso armassem imediatamente a criação de empregos e outras questões econômicas. O projeto de lei do Senado não é perfeito, mas ampliaria a cobertura para 94% de todos os cidadãos e moradores legais até 2019, reduzindo o déficit por muitas décadas e criando programas piloto para melhorar o sistema de saúde a preços menores.

Democratas na Câmara aparentemente não aceitarão o projeto de lei do Senado sem uma modificação. Por isso, líderes congressistas buscam novas formas de comprometer tanto a Câmara quanto o Senado a mudanças ¿ como subsídios melhores para tornar os planos de saúde mais baratos ¿ que podem ser aprovadas através de uma "reconciliação orçamentária" paralela que pode ser aprovada por uma maioria simples tanto no Senado quanto na Câmara.

Essa é uma chance que só acontece uma vez em cada geração. Obama precisa explicar ao povo americano porque a reforma é essencial para sua saúde e segurança e para o futuro da nação. E ele deve insistir que o Congresso termine seu trabalho.

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