Editorial - Democracia colombiana depende do fim da era Uribe

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, deveria dizer a seus amigos que não quer um terceiro mandato. Na semana passada, seus partidários entregaram um abaixo-assinado com mais de 5 milhões de nomes às autoridades eleitorais pedindo um referendo para modificar a constituição de forma a deixar Uribe no poder mais uma vez. A Colômbia já mudou sua constituição uma vez para que Uribe pudesse ser reeleito em 2006.

The New York Times |

Uribe conseguiu importante progresso na guerra contra a brutal guerrilha de esquerda que colocou a Colômbia sob o domínio da violência. Seu índice de aprovação ultrapassou 90% no mês seguinte a uma audaciosa operação que resgatou reféns importantes. Mas ele mostra pouco respeito pela instituição da democracia colombiana.

Depois que a Corte Suprema começou a investigar dezenas de seus aliados no Congresso por supostos elos com paramilitares de direita, ele acusou a corte de ser politicamente motivada. Agora o presidente propõe reformas que removeriam essas investigações da jurisdição da Corte Suprema.

O plano não deve encontrar resistência. Os partidos aliados a Uribe têm maioria no Congresso e cerca de um quinto dos membros do Congresso estão sob investigação ou na prisão por causa desses casos.

A região da Colômbia tem muitos líderes autoritários. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, usou sua popularidade para tomar controle de praticamente todos os aspectos políticos e econômicos da vida de seu país. Os eleitores venezuelanos sabiamente impediram suas chances de reeleição. Os presidentes Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador, também tentam modificar suas constituições para que possam permanecer no poder.

A região precisa de democracia, estabelecida por instituições fortes, e não de homens fortes (não importa o quão populares eles sejam ou o quanto se considerem indispensáveis). Uribe deve deixar claro (agora) que esse é seu último mandato. Caso faça isso, ele será capaz de ser lembrado como um líder que colocou a Colômbia de volta nos eixos e a caminho da paz. Caso tome a atitude de mudar a constituição, ele irá manchar seu legado e enfraquecer ainda mais o sistema que sustenta a democracia colombiana.

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