Editorial: debate sobre o clima esquenta nos EUA

No começo desta semana, e no momento exato, o presidente Barack Obama colocou todo o peso de seu gabinete a favor de um projeto de lei que busca diminuir a dependência deste país do petróleo estrangeiro, lidar com o aumento dos gases causadores do efeito estufa e criar milhões de empregos no setor de energia limpa.

The New York Times |

O projeto esteve travado em um comitê da Câmara: oposto uniformemente pelos republicanos, temido por democratas do cinturão do ferro que pensam que irá prejudicar os manufatureiros e visto com suspeita por alguns ambientalistas que acreditam que ele oferece maneiras de escape.

Obama disse a democratas do Comitê de Comércio e Energia da Câmara para que trabalhem um consenso, o que devem fazer. Ainda que cheio de falhas, o projeto é um começo honrado para se lidar com um problema negligenciado há tempo demais. É preciso consertá-lo, mas em andamento, com a ciência de que o fracasso em agir certamente prejudicaria qualquer lei climática mais ampla deste ano e, provavelmente, deste Congresso.

O centro do projeto é uma provisão para a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa em 20% dos níveis registrados em 2005 até 2020 e 83% até o meio do século (cortes que os cientistas dizem ser necessários para evitar as piores consequências do aquecimento global).

O mecanismo para consegui-los é um sistema de comercialização de créditos de carbono que colocaria limites cada vez menores sobre as emissões, mas permitindo que os emissores negociem créditos, ou permissões, para lhes dar maior flexibilidade para atingir seus alvos. Isso colocaria um valor sobre o carbono, que aumentaria o preço de combustíveis antiquados e sujos, atraindo investimentos para os mais limpos.

Uma vez que projetos anteriores que se concentravam exclusivamente na limitação das emissões não chegaram a lugar nenhum, os dois políticos por trás deste (os representantes Henry Waxman da Califórnia e Edward Markey de Massachusetts) oferecem outras provisões que almejam aumentar a eficiência energética, encorajar fontes de energia mais limpas e oferecer subsídios para os setores que as profuzem. Eles acreditam que se conseguirem conquistar o diversificado e intratável comitê de energia, conseguirão conquistar a própria Câmara.

O projeto deixou deliberadamente para trás grandes questões abertas para debate. Conforme as negociações procedam, Waxman e Markey precisaram resistir às concessões. Um debate questiona se as companhias que receberem permissões governamentais também poderão poluir gratuitamente ou se terão que pagar pelos créditos em um leilão.

Legisladores de Estados dependentes do carvão querem créditos gratuitos para mitigar os custos da conformidade e conceder aos emissores tempo para mudar para combustíveis mais limpos. Outros temem que permissões gratuitas irão atrasar escolhas difíceis enquanto reduzem os lucros da venda dos créditos que o governo poderia usar para fazer investimentos em energia limpa e ajudar os pobres com os custos mais altos da energia.

Waxman e Markey devem fazer apenas pequenos ajustes, se fizerem algum, nos alvos originais: melhor nenhum projeto do que um que diminua o objetivo de cortes das emissões de 20% para 6% até 2020, como sugeriram alguns democratas. Isso seria uma piada, não um compromisso.

Os republicanos não ajudam em nada, insistindo sem exceção que o projeto irá falir a economia. A verdade é que ninguém sabe quanto ele irá custar. Muito depende de como será estruturado, como os lucros da venda dos créditos será usado, com que rapidez novas tecnologias irão gerar empregos que se tornarão disponíveis e quanto o país irá economizar através da eficiência.

Nós sabemos que o limite nas emissões não começará até 2012 e que programas anteriores para limpar o ar custaram menos do que o previsto. Além disso, se os cientistas estão certos, sabemos que os custos de não fazermos nada será muito maior do que o de agirmos agora.

Leia mais sobre Barack Obama

    Leia tudo sobre: barack obama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG