Editorial: Debate revela que candidatura de Palin foi um erro

Nunca a expectativa sobre um candidato prestes a confrontar seu oponente em palco nacional foi tão baixa como a gerada pela governadora Sarah Palin antes de sua participação no debate vice-presidencial contra o senador Joseph Biden na noite de quinta-feira. Isso significa alguma coisa: tudo o que um candidato tem que fazer é aparecer, dizer uma ou duas palavras razoáveis e evitar uma gafe que defina a eleição.

The New York Times |

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Seguindo este padrão, a governadora do Alasca superou as expectativas.

Biden também se saiu bem, evitando seus erros infames, falando com confiança e conhecimento tanto do cenário geral quanto de detalhes.

Mas este debate foi mais a respeito de Palin do que do candidato democrata.

Assim como fez na convenção, Palin mostrou que sabe fazer discursos preparados com entusiasmo, humor e fluência na língua da disputa pelas classes. Ela usou toda oportunidade que teve para se referir aos americanos, especialmente os da classe média, como "nós" e abusou de referências às mães que frequentam os jogos dos filhos.

"Vá ao jogo de futebol de uma criança no sábado e fale com os pais", ela disse, depois de ser questionada sobre a forma como Washington está lidando com o plano de resgate. "Aposto que você ouvirá medo na voz destes pais".


Biden evitou gafes e Palin pareceu repetitiva / Reuters

Mas ela deu poucas respostas concretas sobre como, juntamente com McCain, lidaria com a crise financeira, ajudaria os americanos a evitar a desapropriação ou que programas teriam que ser cortados para lidar com os desastrosos problemas fiscais do país.

Na verdade, o alvo principal de Palin pareceu ser a repetição constante da mesma coisa: John McCain é um político independente e ela também. Ela é uma governadora. Ela entende os americanos. Para permanecer nessa rota, a candidata teve que fazer uso de uma lógica circular muitas vezes estranha: os EUA não querem outra figura familiar em Washington, mas quer McCain (que está no Congresso há 26 anos).

Palin soou populista ao dizer que McCain "exigiria" uma severa fiscalização de Wall Street. Em seguida, ela afirmou que o governo deveria "sair do caminho" dos negócios americanos.

Ocasionalmente, pudemos perceber perturbadores vislumbres da Sarah Palin de antes da campanha. Quando questionada sobre o aquecimento global, Palin sugeriu que a humanidade teve algum papel nisso (mas não disse o quanto).

No final, o debate não mudou uma verdade essencial sobre a candidatura de Palin: ela pode aprender a falar sobre certos pontos definitivos e passar uma boa impressão em circunstâncias controladas. Mas McCain fez uma escolha assustadoramente irresponsável ao optar por alguém com pouquíssima experiência ou conhecimento evidente para a posição. Essa escolha prejudicou a imagem que McCain havia criado para si mesmo como um homem moderado e experiente, de princípios e bom julgamento. A escolha de Palin foi um ato de incrível cinismo ou péssimo julgamento.

As semanas subsequentes gravaram essas imagens na nossa mente. Palin inicialmente injetou energia na campanha de McCain, especialmente entre membros da ala de direita da base republicana, que nunca gostaram ou confiaram no senador do Arizona (e ainda não o fazem).

Então, ela passou de uma aparição pública embaraçosa a outra, culminando em sua vergonhosa performance em entrevista à Katie Couric.

Nesta ocasião, Palin foi incapaz de responder as perguntas mais básicas sobre a política do governo e sua própria filosofia.

Os republicanos tentaram pintar a reação negativa à Palin como uma rejeição da elite liberal a alguém que não compartilha sua origem e criação privilegiadas. Isso não passa de uma distração. O problema com a candidatura de Palin, que ela ressaltou em sua participação no debate de quinta-feira à noite, não é o fato dela não ter frequentado uma escola cara ou ter viajado pela Europa depois da universidade. O problema é seu desdém pelo conhecimento, a educação, a experiência e, acima de tudo, a liderança contemplativa.

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