Editorial: Darfur, mais um ano se passou

Em janeiro, o presidente Bush disse isso sobre Darfur: Minha gestão qualificou isso como genocídio. Depois que rotulamos como genocídio, obviamente temos que fazer algo a respeito.

The New York Times |

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Ainda assim, na semana passada (quase um ano depois) isso é o que o procurador da Corte Criminal, Luis Moreno-Ocampo, disse ao Conselho de Segurança da ONU sobre Darfur: "O genocídio continua. Estupros dentro e fora dos campos de refugiados continuam. A ajuda humanitária ainda é pouca. Mais de 5 mil pessoas deslocadas morrem todos os meses". Como pode ser?

O mundo há muito declarou sua aversão às atrocidades cometidas pelo governo do Sudão e suas milícias em Darfur, mas não fez quase nada para impedir isso. Foram necessários anos de negociações políticas para que o Conselho de Segurança aprovasse o fortalecimento das forças de paz com o envio de mais homens no dia 1º de janeiro. Mais de 11 meses depois, o Conselho de Segurança conseguiu enviar apenas 10 mil dos 26 mil homens prometidos. Os ataques militares de larga escala contra o povo local continuam.

Grande parte da culpa é do presidente cinicamente obstrucionista do Sudão, Omar Hassan Al-Bashir. Mas a Rússia e especialmente a China (que tem interesse no petróleo do país) infelizmente o encorajam. Os líderes africanos também. Os Estados Unidos e seus aliados também têm alguma responsabilidade por agirem de forma evasiva, recentemente sobre como transportar tropas e equipamentos para a zona de conflito.

Mas o presidente Bush disse na quarta-feira que os Estados Unidos estão preparados para fornecer o transporte aéreo. Então, por que a demora?

Agora, as acusações de crime de guerra que Moreno-Ocampo fez ao líder sudanês por seu papel na articulação dos horrores de Darfur (incêndio de vilas, explosão de escolas e o estupro sistemático das mulheres) pode (pode) mudar os planos em Khartoum.

Bashir recentemente concordou com negociações de paz mediadas pelo Qatar e prometeu punir qualquer um culpado de crimes em Darfur. Até que se prove o contrário, o mundo precisa assumir que tudo isso não passa de um teatro armado para enganar o Conselho de Segurança e atrasar sua convocação a Hague.

A União Africana e a Liga Árabe, buscando proteger um dos seus, pressionam o Conselho de Segurança para que atrase um indiciamento formal e o mandado de prisão, dizendo que isso prejudicaria a negociação de paz. A gestão Bush ameaçou bloquear tal medida e esperamos que seja firme. O presidente eleito Barack Obama e seus conselheiros pediram uma ação mais forte para acabar com o genocídio em Darfur. Esperamos que a próxima gestão aja rapidamente.

Mas não temos dúvida: consertar Darfur, que está cada vez mais envolta em disputas entre grupos rebeldes, fica cada vez mais difícil. O indiciamento, esperado para fevereiro, é sem dúvida merecido. Os oficiais das Nações Unidas dizem que até 300 mil pessoas foram mortas no conflito de Darfur e que 2,7 milhões tiveram que abandonar suas casas.

Mesmo assim pode ser válido atrasar os procedimentos caso Bashir pare suas milícias assassinas, acabe com o impedimento à chegada de novas forças de paz e dê início a negociações de paz sérias. O mundo está esperando.

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