Editorial: Cúpula econômica deixa a desejar

Em tempos normais não esperamos muito de uma cúpula econômica. Mas com a implosão da economia mundial, os líderes das 20 maiores potências econômicas que se reuniram na quinta-feira tinham uma responsabilidade urgente de criar novas políticas concretas para consertar o sistema financeiro global e restaurar o crescimento. Eles fizeram pouco.

The New York Times |

O encontro certamente gerou mais do que a comum oportunidade para fotografias coletivas (e os participantes não foram embora gritando uns com os outros como já fizeram no passado). Os líderes prometeram combater o protecionismo, ajudar os países em desenvolvimento que foram terrivelmente prejudicados e (cumprindo promessas) comprometeram US$ 1 trilhão em empréstimos e garantias comerciais.

O grupo também concordou em acabar com paraísos fiscais e, de país em país, estabelecer regulações financeiras mais rígidas aos fundos de investimento (o que é necessário, mas insuficiente para evitar que a atual crise se repita).

Onde eles fizeram perigosamente pouco foi na sua recusa em se comprometer a gastar os milhares de bilhões de dólares em estímulo fiscal adicional que a economia mundial precisa para sair da situação atual. Com o gasto do consumidor e o investimento empresarial ruindo em todo o mundo, os países ricos são os únicos que têm os recursos para fazer o que é necessário.

Os líderes europeus (principalmente a chanceler alemã, Angela Merkel) deixaram claro ao entrar na reunião que não fariam concessões nesta questão. Os políticos alemães sempre foram temerosos em evitar a inflação com déficit orçamentário. Mas inflação não é o perigo que a Europa enfrenta hoje e a história da Alemanha deveria fazer com que eles estivessem igualmente preocupados com as desastrosas consequências de uma nova depressão. 

O presidente Barack Obama alertou corretamente os europeus que eles não podem contar com que gasto do consumidor americano impulsione sozinho a economia mundial. Mas ele aparentemente decidiu que uma batalha seria destrutiva demais.

Depois de anos nos quais o presidente George W. Bush prejudicou e alienou os principais amigos deste país, ficamos aliviados em ver Obama agir de forma diplomática. No entanto, tememos que este não seja o momento (ou a questão) para evitar conflitos. Se o crescimento global permanecer em declínio o presidente terá que partir para a luta em breve.

O gasto com estímulo não foi a única questão de fundamental discordância. Os europeus foram à cúpula ressaltando a necessidade de regulação internacional dos mercados financeiros, participantes e produtos. Obama e sua equipe pareciam mais comprometidos à regulação doméstica do que seus antecessores (mas a resistente à ideia de uma regulação global).

O grupo se comprometeu com um pedido de maior transparência e melhores sistemas de alerta precoce para riscos sistêmicos. Mas suspeitamos que será preciso muito mais para assegurar os investidores de que os mercados estão seguros.

As nações ricas do mundo precisam chegar a um entendimento comum das causas da crise e uma visão comum do papel futuro dos mercados financeiros. Então, elas precisarão escrever novas regras e regimes regulatórios que irão lidar com os perigos reais. No final, a regulação necessária não será internacional o suficiente para o gosto europeu e será restritiva demais para o padrão americano. Quando ambos os lados reclamarem do resultado, ao invés de elogiarem o que foi feito, saberemos que algum progresso foi feito.

O primeiro-ministro Gordon Brown declarou no final do encontro que "este é o dia em que o mundo se une para combater a recessão global". Como anfitrião, ele tinha que dizer isso. Mas para se combater a crise atual será preciso muito mais do que foi conseguido em Londres.

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