Editorial: Cúpula do G20 deve ser apenas o primeiro passo de uma reforma

Seria tentador não levar a sério a reunião de sábado entre as 20 principais economias do mundo. O presidente George W. Bush está desacreditado e de saída. O presidente eleito Barack Obama não tem autoridade legal e decidiu, corretamente, permanecer afastado.

The New York Times |

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Há enorme urgência que os líderes concordem com passos básicos para reanimar a economia mundial, inclusive com o estímulo fiscal e ajuda financeira aos países em desenvolvimento, que estão sofrendo conforme bancos multinacionais e investidores cortam linhas de crédito e abandonam investimentos.

Ainda que seja cedo demais para se negociar qualquer nova regulamentação financeira internacional, os líderes podem usar essa reunião para dar início a uma séria discussão sobre as raízes da crise financeira e preparar o terreno para encontros futuros onde serão debatidas reformas substanciais.

O cenário da economia global está sombrio e piorando. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional baixou sua estimativa de crescimento mundial no ano que vem para  2,2%. Economias desenvolvidas vão encolher. Na quinta-feira, a Alemanha descobriu que sua economia já está em recessão. A menos que os líderes trabalhem juntos, as pressões protecionistas irão aumentar, piorando os problemas de todos.

Os governos precisam injetar muito dinheiro em suas economias para promover crescimento, especialmente em países que tem grande surplus, como a Alemanha, China e Japão. A China deu os primeiros passos, anunciando um pacote de estímulo fiscal no valor de quase US$600 bilhões. Agora, os países europeus precisam sobrepujar suas dúvidas.

Neste país, os democratas pedem um pequeno incentivo fiscal imediato.
A próxima gestão deve oferecer muito mais. Alguns economistas sugerem um pacote de estímulo de até US$500 bilhões no próximo ano.

Todos os envolvidos

Os países ricos terão que fazer mais para lidar com as dificuldades criadas pelas hipotecas nas folhas de seus bancos. Os governos devem reabrir a opção de compra de alguns investimentos dos bancos em dificuldades para ajudar a negociar trilhões de dólares de seguridades hipotecárias, encorajar reduções e liberar o capital para investimentos.

Países em desenvolvimento irão precisa resgatar seus bancos e impulsionar suas economias. O Banco Mundial pretende aumentar seus empréstimos para US$100 bilhões nos próximos três anos.

O Federal Reserve prometeu US$30 bilhões para ajudar México, Brasil, Cingapura e Coreia do Sul a combaterem os desafios de sua moeda. Países desenvolvidos devem considerar a ampliação de suas garantias a empréstimos bancários para cobrir todos os empréstimos transfronteiriços e evitara retirada de dinheiro dos países mais pobres. Além disso, eles devem disponibilizar mais capital.

O FMI tem menos de US$250 bilhões a sua disposição, ainda que possa precisar de três vezes este valor para evitar o colapso de países emergentes como a Coreia do Sul ou o Brasil. Líderes mundiais devem direcioná-lo a acumular mais capital.

Na reunião deste fim de semana, os governos podem começar a identificar algumas importantes áreas que precisam de reforma. Ficou claro por esta crise que os bancos e outras instituições financeiras devem restringir grande porcentagem de seu capital como reserva caso seus investimentos não deem certo.

É preciso que haja mais transparência e fiscalização no mercado sobre produtos financeiros complicados. Novas regras são necessárias para regulamentar agências de índice de crédito, cujos erros permitem o surgimento de mais dívidas.

O mundo precisa reexaminar a rede de entidades que fiscalizam as finanças globais, do G7 ao FMI  (há muito dominado por países ricos).
Grandes novos jogadores como a China e Índia precisam ter voz e assumir mais responsabilidade na economia mundial.

Nada disso será feito rapidamente. Bush não deve assumir compromissos no sábado, mas o diálogo precisa começar. Obama deve assumir assim que tomar posse.

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