Editorial: Crise das hipotecas atinge minorias americanas

A crise das hipotecas, que colocou milhões de americanos em risco de perder suas casas, se tornou especialmente devastadora para famílias beneficiárias negras e hispânicas. Parece claro a essa altura que as minorias foram mais suscetíveis a entrar em empréstimos arriscados e caros (mesmo quando os pesquisadores controlaram fatores cruciais como a renda, o tamanho do empréstimo e sua localização).

The New York Times |

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O Congresso que assumirá em janeiro pode começar a lidar com este problema fortalecendo leis de empréstimo mais justas, especialmente o Ato de Reinvestimento Comunitário, que encoraja práticas justas e honestas de financiamento enquanto exige que os bancos emprestem, invistam e abram agências em áreas de baixa e média renda.

Os legisladores também devem ampliar essa lei para cobrir as financiadoras obscuras que ajudaram a gerar a crise do subprime. Essas companhias carregaram bairros inteiros com empréstimos arriscados e caros que os beneficiados nunca poderiam pagar, venderam estes empréstimos a Wall Street e então abandonaram os negócios.

O Congresso precisa ter em mente que muitos destes jogadores certamente voltarão a operar em algum momento. Alguns já voltaram, disfarçados de empresas que ajudam os donos de imóveis a evitar a desapropriação.

A necessidade de revisitar leis de financiamento mais justas é evidente em inúmeros estudos sobre as informações federais dos empréstimos. Uma análise particularmente assustadora foi realizada em 2006 pela Coalizão Nacional de Reinvestimento Comunitário descobriu que quase 55% dos empréstimos aos afro-americanos, 40% aos hispânicos e 35% aos índios entram na categoria de custo alto, em comparação a 23% aos brancos. As diferenças entre gêneros também são perturbadoras. As mulheres tiveram termos menos favoráveis do que os homens.

Um estudo clássico sobre a discriminação realizado pela coalizão de reinvestimento descobriu que negros e hispânicos, atuando como possíveis beneficiados, receberam um tratamento significativamente pior e ofertas de empréstimos mais caros e menos atrativos do que brancos no mesmo papel (ainda que tenham recebido perfis financeiramente atraentes, inclusive créditos melhores e empregos fixos). Este estudo, e outros, negam as alegações das financiadoras de que os padrões de empréstimo são explicados por possíveis características de risco.

John Taylor, presidente da coalizão, disse em uma audiência congressional no ano passado que os beneficiados das minorias pagam um "imposto racial". Ainda que as financiadoras tenham que informar o governo federal sobre dados como raça, gênero, posição social, valor do empréstimo e renda, eles omitem informações sobre o crédito. Ao resguardar a estatística mais importante usava para se calcular os empréstimos, as financiadoras dão a si mesmas o escudo necessário contra acusações de discriminação.

Mas com indicações de discriminação surgindo por todos os lados, o Congresso não tem opção a não ser exigir que as financiadoras reportem toda a informação que forma a base de suas decisões sobre empréstimos, inclusive informações que permitiriam que terceiros determinassem se houve ou não discriminação por raça. Seria melhor se as financiadoras informassem não apenas o valor de crédito dos beneficiados, mas detalhes das condições do próprio empréstimo.

Olhando para trás é difícil dizer se tais exigências teriam evitado a crise do subprime. Certamente, elas dariam aos defensores dos direitos dos consumidores  e regulamentadores mais informação mais cedo. De qualquer forma, não há desculpas para não colocá-las em prática agora para evitar que a história se repita e todos aqueles empréstimos arriscados e caros sejam vendidos antes que alguém intervenha.

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