Editorial - Corrida política mostra promessas vazias

Não deveria ser extraordinário que um candidato à presidência jure a bandeira, prometa não ignorar as violações da lei, fale sobre terminar uma longa e exaustiva guerra e prometa transparência na sala Oval.

The New York Times |

Mas o estado do país depois de sete anos de legisladores republicanos marchando sob o comando do presidente Bush de um desastre a outro deu ao senador John McCain a chance de ganhar pontos ao reconhecer o quanto precisa ser mudado.

McCain disse num discurso na quinta-feira que, se for eleito, irá terminar a guerra no Iraque até o final de seu primeiro mandato; trabalhará "com atenção" junto com outras nações para acabar com as ameaças nucleares do Irã e Coréia do Norte; eliminará um imposto que ajuda os ricos e esmaga a classe média. Ele prometeu não "subverter os propósitos da legislação", como Bush fez ao assinar declarações; e não criar, como Bush criou, uma presidência imperial que não presta contas a ninguém. "Os poderes da presidência serão verificados por outras partes do governo", ele disse.

Ele também repetiu sua promessa de lidar com a mudança climática e instituir um programa de trabalho temporário e "lidar de maneira humana com os milhões de imigrantes que estão nesse país ilegalmente".

Claro que o que impulsionou essas promessas foi a ameaça de um desastre eleitoral republicano e seu discurso não foi todo positivo, especialmente sua confirmação de uma postura de extrema direita em relação à indicação de juizes da suprema corte.

Ainda assim, estamos felizes em saber que McCain reconhece os muitos abusos e falhas da presidência de Bush e promete não cometer os mesmos erros. Agora precisamos de sinais que comprovem que outros republicanos concordam com o candidato - e precisamos saber muito mais dele sobre como ele irá manter suas promessas.

McCain disse que irá conseguir a vitória no Iraque até 2013, por exemplo, sem explicar como fará isso. Os pré-candidatos democratas sabem que a tarefa do próximo presidente será tirar os Estados Unidos de uma situação impossível de ser vencida da forma mais limpa possível e não ficar para uma vitória final impossível.

Sua promessa a respeito do equilíbrio constitucional entre Congresso e Casa Branca também gera dúvidas. Ele está disposto a localizar e corrigir todas as maneiras em que Bush prejudicou a Constituição e atingiu as liberdades civis? Ou ele está prometendo apenas fazer melhor?

O histórico de McCain não é encorajador. Sua aprovação foi crítica na decisão do Ato de Comissões Militares de 2006, uma das leis mais prejudiciais da história da nação. Ela criou cortes dentro de Guantánamo e suspendeu o habeas corpus, o direito fundamental dos prisioneiros a uma audiência em uma corte verdadeira.

McCain conseguiu melhorar a lei em relação ao tratamento dos prisioneiros, mas aceitou um acordo absurdamente cínico que excluiu agentes de inteligência da proibição de tortura, abuso e humilhação dos detentos.

Falar a respeito não é suficiente. Ver o partido republicano tentar se remodelar em um pacote similar ao de Barack Obama, apenas para ver que seu tema "The Change You Deserve" (A Mudança que Você Precisa, em tradução literal) era o slogan de uma campanha de um remédio antidepressivo.

O discurso de McCain destacou algumas das piores falhas da presidência de Bush. Mas ele precisa fazer muito mais para persuadir o país de que tem as idéias e a vontade de colocá-las em prática - e que seu país, que se recusou a questionar Bush por sete longos anos, está realmente pronto para mudar de direção.

Isso é realmente necessário.

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