Editorial: Como medir o sucesso americano no Afeganistão?

O tenente coronel Stanley McChrystal, escolha do presidente Barack Obama como próximo comandante militar no Afeganistão, definiu os objetivos essenciais dos Estados Unidos no país de forma que representa uma mudança atrasada na estratégia militar. Ele disse aos senadores na semana passada que a medida da eficiência não será o número dos inimigos mortos. Será o número de afegãos protegidos contra a violência.

The New York Times |

Se McChrystal puder fazer isso, ele terá uma chance muito maior de mudar uma guerra que a América não tem conquistado - mas precisa.

Não é apenas contra a violência Taleban que os afegãos precisão de proteção. O fogo perdido americano tirou um número inaceitavelmente alto de vidas, especialmente nos combates aéreos nos quais os comandantes americanos se apoiam por causa da falta de tropas terrestres. Um episódio particularmente mortal matou dezenas de civis no mês passado (o Pentágono afirma que entre 20 e 30; o governo afegão diz 140).

Na semana passada, o New York Times reportou as conclusões iniciais de uma investigação do Pentágono citando erros militares significativos que contribuíram para o alto número de mortes entre civis. Entre eles estava a contrariação de uma regra que proíbe o bombardeio de zonas residenciais de alta densidade na ausência de uma ameaça iminente e a falha em reconfirmar o alvo depois de um atraso no bombardeio.

Tais erros são custosos, não apenas em vidas civis mas no amplo apoio à presença americana e na campanha militar contra o Taleban.

O povo afegão tem poucas ilusões sobre o Taleban. Ele sentiram o peso de suas punições medievais, testemunharam ataques brutais contra os direitos da mulheres e à educação das meninas e perceberam sua ligação cínica e sinistra com traficantes de drogas. Mas ele tem pouco entusiasmo por uma guerra na qual tropas estrangeiras e fanáticos do Taleban atiram um contra o outro com aparente indiferença pelos civis pegos no fogo cruzado. No ano passado, cerca de 2,000 civis afegãos foram mortos, de acordo com as Nações Unidas e agências particulares.

Reduzir este número exigirá um combate mais restrito por regras. Isso se aplica não apenas aos ataques aéreos mas às operações de busca e detenção que McChrystal quer ampliar este ano com a ajuda de 21,000 soldados adicionais que Obama enviará ao Afeganistão. Operações terrestres são menos propensas ao erro do que as aéreas. Mas como aconteceu vezes demais no Iraque, elas também podem tirar vidas inocentes e colocar o povo local contra os americanos. 

O principal trabalho de McChrystal será mudar a forma como afegãos comuns veem a luta contra o Taleban e seus supostos aliados da Al-Qaeda. Operações de combate à insurgência precisam de apoio (e dicas de inteligência) da população local para funcionar.

Proteger civis afegãos e expandir o espaço de segurança no qual eles podem viver suas vidas com normalidade precisa ser o principal objetivo das operações militares americanas no Afeganistão. Além disso, Washington precisa acelerar o ritmo e a qualidade do treinamento de forças militares e policiais locais para que elas possam assumir a missão o quanto antes.

A nova estratégia de Obama para o Afeganistão incorpora esta postura mais realista. A definição de McChrystal da eficiência americana reflete isso. As palavras certas estão sendo proferidas em Washington. Agora é preciso colocá-las em prática no Afeganistão.

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