Editorial: como deixar o Paquistão cometer seus próprios erros

Quando Pervez Musharraf comandava o Paquistão, ele fez repetidos acordos com líderes tribais pretendendo acalmar as regiões mais turbulentas do país. Os resultados foram desastrosos. O Taleban e a Al-Qaeda aproveitaram esse tempo para se reagrupar e lançar ataques tanto dentro do Paquistão quanto contra o Afeganistão.

The New York Times |

Agora governo civil recém-eleito está tentando novamente. Duvidamos que eles tenham mais sorte. Os novos líderes precisarão fazer um trabalho melhor do que Musharraf ao patrulhar os acontecimentos ao longo da fronteira. E eles precisam desenvolver um plano de apoio para quando esses acordos forem para os ares.

Não é surpresa que o novo governo tente seguir seu próprio caminho. Quando o então general Musharraf e os Estados Unidos lutaram contra os extremistas, ambos deixaram de se preocupar com as mortes de civis. Musharraf nunca tentou explicar porque o Paquistão tinha interesse em lutar. Sempre foi uma guerra de Washington.

O último acordo, como relatado pelo The Times, exigiria que as tribos expulsassem militantes estrangeiros, parassem seus ataques e seqüestros e permitisse livre movimentação da Força da Fronteira, a segurança local. O acordo também pede a devolução de prisioneiros em troca da lenta e gradativa retirada das forças militares paquistanesas da região de Waziristan.

O principal líder militante acusado de conceber o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto ordenou seus combatentes a pararem as atividades nas regiões.

A administração Bush não gosta do acordo, mas a falha de sua própria política é inegável. A CIA chama a fronteira de "um perigo presente e óbvio" para o Afeganistão, Paquistão e o ocidente. Uma investigação recente do Congresso diz que a administração nunca desenvolveu um plano completo - que integrasse diplomacia, inteligência, cumprimento da lei e auxílio econômico - para cuidar desse perigo presente e óbvio.

Desde 11 de setembro, os Estados Unidos investiram US$10 bilhões no Paquistão - a maioria direcionado ao exército do ex-general Musharraf. Mas não destruiu a Al-Qaeda ou conseguiu fechar os portos-seguros dos militares. Segundo oficiais da inteligência norte-americana, a Al-Qaeda está ganhando força em seu refúgio paquistanês.

O novo governo democrático até o momento excedeu as expectativas: políticos rivais cooperam e prometeram acabar com as restrições da mídia e dar andamento a novas reformas. Isso merece a atenção de Washington e algum tempo para que aconteça.

Autoridades americanas precisam trabalhar silenciosamente com o novo governo para dar vazão a uma nova estratégia militar, caso a paz não funcione. E precisa de muito mais para fortalecer a democracia do Paquistão e melhorar a vida de seus cidadãos.

A administração Bush pode, finalmente, colocar seu peso no projeto de lei do senador Joseph Biden, que prevê um pacote de US$2.5 bilhões em auxílio não militar. A administração e o Congresso devem aprovar essa lei imediatamente. Ela dará ao novo governo mais espaço político para perseguir os militantes caso o plano de paz caia por terra. Essa é a única esperança de persuadir os paquistaneses de que essa não é uma guerra só de Washington.

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